{"id":1365,"date":"2019-07-22T17:27:55","date_gmt":"2019-07-22T20:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/?p=1365"},"modified":"2021-11-18T19:14:46","modified_gmt":"2021-11-18T22:14:46","slug":"historiainformaticaeducacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/index.php\/historiainformaticaeducacao\/","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil: uma narrativa em constru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<section id=\"autores\">(<a href=\"#Elia\">Marcos da Fonseca Elia<\/a>)<\/section>\n<section id=\"imagemDisparadora\"><a href=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIE1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIE1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o\" width=\"2048\" height=\"1209\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1716\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIE1.jpg 2048w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIE1-300x177.jpg 300w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIE1-768x453.jpg 768w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIE1-1024x605.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>A cronologia do tempo na Hist\u00f3ria: hoje, ontem&#8230; e o amanh\u00e3?<\/h4>\n<p>Estamos (mal) acostumados a ver a hist\u00f3ria como lembran\u00e7as do passado a serem de vez em quando revisitadas. Em realidade, falar de hist\u00f3ria \u00e9 falar do tempo cronol\u00f3gico, aquele que flui de uma exist\u00eancia passada para o futuro e que [SANTO AGOSTINHO, 2002] denominou nos anos 400 de nossa era de tempo-eternidade. Infelizmente, n\u00f3s humanos temos como tend\u00eancia olhar o tempo apenas como uma medida de dura\u00e7\u00e3o de um evento do tempo-presente, talvez por ser aquele que mais facilmente conseguimos entender e capturar por rel\u00f3gios inventados por n\u00f3s, e \u00e9 justamente aquele que Santo Agostinho n\u00e3o acreditava existir, pois para ele: \u201c&#8230;o tempo presente n\u00e3o teria dura\u00e7\u00e3o porque ocorre a cada instante e, tamb\u00e9m, porque sabemos quando come\u00e7a, mas n\u00e3o quando termina\u201d. Pois bem, a proposta deste trabalho \u00e9 olhar historicamente para o passado para podermos entender o presente e, mesmo que tentativamente e de forma ainda que incompleta, construir um futuro melhor, conscientes de que o tempo futuro \u00e9 incerto e o tempo presente \u00e9 uma utopia que s\u00f3 se constituiria de fato quando pudesse haver o compartilhamento entre todos de tudo que aconteceu no tempo passado. Visto desta maneira, o tempo (ou a hist\u00f3ria) \u00e9 uma medida da informa\u00e7\u00e3o passada j\u00e1 compartilhada (conhecimento). O popular g\u00eanero de texto (trava-l\u00edngua) abaixo ilustra o pouco que sabemos em rela\u00e7\u00e3o ao tempo (\u00e0 hist\u00f3ria):<br \/>\n\u201cO tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem.<br \/>\nO tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tem\u201d.<\/p>\n<\/section>\n<section id=\"objetivosEducacionais\">\n<h4>Objetivos Educacionais:<\/h4>\n<ul>\n<li>Compreender o mundo de hoje dentro da perspectiva do pensamento complexo, como uma necessidade de qualquer indiv\u00edduo em busca de sua cidadania, \u00e9 um dever de todo o educador do s\u00e9culo XXI.<\/li>\n<li>Conhecer as principais pol\u00edticas p\u00fablicas de Estado (leis) e de governos (projetos e programas): EDUCOM, PRONINFE, ProInfo, ProInfo Integrado e UAB; voltadas para o desenvolvimento da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/li>\n<li>Reconhecer o car\u00e1ter complexo transdisciplinar da \u00e1rea de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Refletir criticamente sobre a Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil, identificando os pontos cr\u00edticos e os agentes p\u00fablicos e privados do processo de sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>\u00cdndice:<\/h4>\n<ul>\n<li><a href=\"#s1\">1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#s2\">2 Defini\u00e7\u00e3o do objeto de estudo e trabalhos relacionados<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#s3\">3 Tr\u00eas no\u00e7\u00f5es-chave no curso da hist\u00f3ria da inform\u00e1tica educacional brasileira<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#s4\">4 Considera\u00e7\u00f5es finais<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#resumo\">Resumo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#live\">Live-palestra-conversa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#leituras\">Leituras Recomendadas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#exercicios\">Exerc\u00edcios<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#referencias\">Refer\u00eancias<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#listaAutores\">Sobre o Autor<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#citar\">Como citar este cap\u00edtulo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#comentarios\">Coment\u00e1rios<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/section>\n<h2 id=\"s1\">1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Construir um texto sobre a Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil como um t\u00f3pico de conte\u00fado disciplinar, seja para cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores ou de outros profissionais, \u00e9 um instigante desafio intelectual. Primeiramente, porque esta \u00e1rea \u00e9 ainda muito recente no pa\u00eds e alguns desdobramentos das a\u00e7\u00f5es iniciais est\u00e3o acontecendo, como tamb\u00e9m est\u00e3o na ativa alguns dos seus protagonistas. Assim, n\u00e3o havendo ainda fatos hist\u00f3ricos consolidados pelo tempo, ent\u00e3o o que h\u00e1 s\u00e3o apenas narrativas a respeito deles.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o desafio relaciona-se ao prop\u00f3sito alinhado com o p\u00fablico-alvo do texto, pois como autor da narrativa hei de ter muita clareza sobre a maneira mais eficaz e isenta de abordar este t\u00f3pico, objetivando contribuir para a forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada de profissionais, sejam estes especialistas da \u00e1rea, sejam mesmo leitores interessados de outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>Honrado com o convite feito pelos editores desta obra did\u00e1tica e tendo atuado na \u00e1rea desde os seus prim\u00f3rdios, aceitei o desafio pensando em oferecer uma abordagem que seja uma narrativa que resgate e sistematize as inst\u00e2ncias sobre o que tem acontecido no pa\u00eds em termos da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o (IE). O leitor poder\u00e1 usar isto como um crit\u00e9rio de valida\u00e7\u00e3o ao comparar essas inst\u00e2ncias com a sua pr\u00f3pria viv\u00eancia ou, no caso dos mais jovens, com os relatos locais e outras narrativas j\u00e1 publicadas (vide revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica na Se\u00e7\u00e3o 2).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 inten\u00e7\u00e3o que a presente narrativa sirva tamb\u00e9m de base para a constru\u00e7\u00e3o de novas narrativas sobre a hist\u00f3ria da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o, no sentido de que quanto mais nos debru\u00e7armos retrospectivamente sobre fatos acontecidos haja um olhar de expectativas cr\u00edticas para o futuro que antecipem atitudes proativas no presente.<\/p>\n<p>Ademais, considerando que o tema em tela tem tamb\u00e9m uma natureza multifacetada pela influ\u00eancia de diversos fatores que se relacionam, organizei o texto de forma que, primeiramente, estudemos analiticamente os aspectos que entendemos como sendo os mais determinantes para que, em seguida, possamos reintegr\u00e1-los novamente restabelecendo as rela\u00e7\u00f5es entre as partes que comp\u00f5em o tema em estudo, procurando-se assim preservar a representa\u00e7\u00e3o sist\u00eamica deste todo complexo.<\/p>\n<p>Como sabemos, um estudo sobre qualquer tema se inicia com a defini\u00e7\u00e3o do objeto de estudo e com a an\u00e1lise dos trabalhos relacionados (Se\u00e7\u00e3o 2). Os aspectos ou no\u00e7\u00f5es-chave que no entendimento do presente narrador t\u00eam sido determinantes para moldar o curso da Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil s\u00e3o tratados na Se\u00e7\u00e3o 3, na forma anal\u00edtica mencionada no par\u00e1grafo acima. Na Se\u00e7\u00e3o 4 apresento minhas considera\u00e7\u00f5es finais com um olhar para o futuro, inclusive, apontando alternativas quando julgar adequado. Nas Se\u00e7\u00e3o 5 listo a bibliografia consultada e recomendada (destacada com *), sempre que poss\u00edvel na forma de \u201clinks\u201d. Algumas atividades sob a forma de quest\u00f5es para reflex\u00e3o e discuss\u00e3o, de prefer\u00eancia em grupos, s\u00e3o sugeridas ao longo do texto com o objetivo de aproximar os t\u00f3picos tratados com a pr\u00e1tica do leitor.<\/p>\n<h2 id=\"s2\">2 Defini\u00e7\u00e3o do objeto de estudo e trabalhos relacionados<\/h2>\n<p>No contexto do presente trabalho, a \u00e1rea de conhecimento Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o (IE) est\u00e1 sendo entendida em sentido amplo como: A Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00e1rea de pesquisa, desenvolvimento e de forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos sobre o uso das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o (TIC) como uma tecnologia educacional.<\/p>\n<p>Objetivamente trata-se, portanto, de um recurso did\u00e1tico que deve estar ao alcance do professor em sala de aula ou fora dela, a ser previsto tanto no projeto pedag\u00f3gico da escola quanto no planejamento do sistema escolar elaborado pelas autoridades educacionais.<\/p>\n<p>Subjetivamente, contudo, envolve por parte de todos esses agentes a assun\u00e7\u00e3o de uma nova atitude cultural transdisciplinar (termo inventado por Jean Piaget (1970) <a href=\"#NICOLESCU2003\">[NICOLESCU, 2003]<\/a>, como sendo aquela \u00e1rea do conhecimento que est\u00e1 entre, passa atrav\u00e9s e vai al\u00e9m dos conte\u00fados disciplinares, neste caso, inform\u00e1tica e educa\u00e7\u00e3o) que permita realizar de forma adequada todo o potencial transformador que as TIC oferecem, o que, convenhamos, requer um grande esfor\u00e7o dos envolvidos, em particular, de n\u00f3s professores.<\/p>\n<p>Esta defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o inclui aquelas atividades de ensino-aprendizagem em que a TIC aparece com um fim em si mesmo, tais como o treinamento de t\u00e9cnicos e de profissionais de inform\u00e1tica no aprendizado de linguagens de sistemas e de programas de computadores.<\/p>\n<p>Partindo desta defini\u00e7\u00e3o, poder\u00edamos datar o in\u00edcio da hist\u00f3ria da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o no Brasil como sendo a primeira metade da d\u00e9cada dos anos 70, concordando com os Editores da presente obra <a href=\"#SAMPAIO2017\">[SAMPAIO; PIMENTEL; SANTOS, 2017]<\/a>.<\/p>\n<section class=\"quadro atividade\">\n<h5>ATIVIDADE: Refletindo sobre a natureza da \u00e1rea de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p>Comente criticamente a defini\u00e7\u00e3o adotada para a \u00e1rea tem\u00e1tica de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o, propondo as modifica\u00e7\u00f5es que julgar necess\u00e1rio.<br \/>\n<\/section>\n<p>Antes de prosseguirmos, devemos ouvir a opini\u00e3o de especialistas! Neste sentido, os quatro trabalhos comentados a seguir, a t\u00edtulo de uma revis\u00e3o de artigos relacionados, discutem o desenvolvimento da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o no Brasil desde os anos 70 at\u00e9 2015, com \u00eanfase nas pol\u00edticas p\u00fablicas governamentais e de Estado. Os dois \u00faltimos referem-se, respectivamente, aos per\u00edodos do ProInfo (1997-2002) e do ProInfo 2 (2007- ) , tamb\u00e9m conhecido como \u201cProInfo Integrado\u201d.<\/p>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>Inform\u00e1tica educativa no Brasil: uma hist\u00f3ria vivida, algumas li\u00e7\u00f5es aprendidas (<a href=\"#MORAES1997\">MORAES, 1997<\/a>)<\/h5>\n<p>Trata-se de um relato historiogr\u00e1fico acurado das iniciativas e pol\u00edticas p\u00fablicas do governo brasileiro no per\u00edodo (1980-1997), inclusive produzindo uma tabela com a cronologia dessas a\u00e7\u00f5es institucionais, mas dando destaque apenas \u00e0quelas geradas a partir da lei de \u201cReserva de Mercado para a Inform\u00e1tica\u201d (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L7232.htm\">Lei Federal n\u00ba 7.232\/84<\/a>), notadamente o Projeto courseware Educom UFRJ e o Programa Nacional de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o PRONINFE (<a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/materia\/-\/asset_publisher\/Kujrw0TZC2Mb\/content\/id\/21291240\/do1-2016-08-30-portaria-n-549-de-29-de-agosto-de-2016-21291158\">Portaria N\u00ba 549, de 13\/10\/89<\/a>), cuja implementa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do MEC ficou sob responsabilidade da autora ao longo de quase todo o per\u00edodo em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Ressalta ainda a autora que as citadas a\u00e7\u00f5es se ativeram \u00e0s diretrizes estabelecidas em 1981 pelo documento \u201cSubs\u00eddios para a Implanta\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o\u201d [BRASIL 1982 apud MORAES, 1997] dentre os quais se destacam:<\/p>\n<p class=\"blockquote\">[&#8230;] que as iniciativas nacionais deveriam estar centradas nas universidades e n\u00e3o diretamente nas secretarias de educa\u00e7\u00e3o, pois era necess\u00e1rio construir conhecimentos t\u00e9cnico-cient\u00edficos para depois discuti-los com a comunidade nacional.<\/p>\n<p class=\"blockquote\">Buscava-se a cria\u00e7\u00e3o de centros formadores de recursos humanos qualificados, capazes de superar os desafios presentes e futuros ent\u00e3o vislumbrados.<\/p>\n<p class=\"blockquote\">[&#8230;] viabilizar um sistema de ensino realmente adequado \u00e0s necessidades e realidades regionais, com flexibilidade suficiente para o atendimento \u00e0s situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, ao aumento da efetividade no processo de ensino-aprendizagem, \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de uma programa\u00e7\u00e3o participativa a partir dos interesses do usu\u00e1rio<\/p>\n<p>Prossegue, afirmando que as pol\u00edticas p\u00fablicas implementadas no per\u00edodo, em especial o projeto EDUCOM, contribu\u00edram de uma maneira geral para a forma\u00e7\u00e3o de uma cultura consistente em IE no Brasil e, em particular, para a forma\u00e7\u00e3o de uma massa cr\u00edtica de pesquisadores brasileiros nesta nova \u00e1rea de conhecimento. E conclui, dizendo que:<\/p>\n<p class=\"blockquote\">Se mais n\u00e3o foi realizado, n\u00e3o foi, com certeza, por incompet\u00eancia t\u00e9cnica, mas sim, por falta de interesse e vis\u00e3o por parte de alguns dirigentes do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, associado \u00e0s tentativas de interfer\u00eancias na paralisa\u00e7\u00e3o da pesquisa por parte de grupos interessados na abertura antecipada do mercado educacional de \u201csoftware\u201d e equipamentos [&#8230;]<\/p>\n<\/section>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>VIS\u00c3O ANAL\u00cdTICA DA INFORM\u00c1TICA NA EDUCA\u00c7\u00c3O NO BRASIL: A quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do professor \u2013 Jos\u00e9 Armando Valente e Fernando Jos\u00e9 de Almeida <a href=\"#VALENTE1997\">[VALENTE; ALMEIDA, 1997]<\/a><\/h5>\n<p>Os autores \u2013 not\u00e1veis decanos da \u00e1rea de IE no Brasil \u2013 depois de fazerem algumas considera\u00e7\u00f5es sobre os avan\u00e7os dessa \u00e1rea em fun\u00e7\u00e3o das iniciativas governamentais do per\u00edodo (1980-1997) referidas no trabalho <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a> comentado anteriormente, como tamb\u00e9m sobre o apelo que as TIC representam nos dias de hoje, questionam que a IE no Brasil ainda n\u00e3o teve a penetra\u00e7\u00e3o e o impacto no sistema escolar a ponto de provocar as grandes mudan\u00e7as na pr\u00e1tica de ensino, como seria esperado por tais pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Mas divergem parcialmente de Moraes <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a> quando esta enfatiza que tal quebra de expectativa pudesse ser atribu\u00edda \u00e0 falta de investimentos e\/ou de vontade pol\u00edtica dos dirigentes. Decidem ent\u00e3o fazer uma reflex\u00e3o sobre este hiato brasileiro entre as inten\u00e7\u00f5es e a realidade pelo uso da IE no cotidiano escolar tendo em vista os objetivos de mudan\u00e7a pedag\u00f3gica propostos pelo \u201cPrograma Brasileiro de Inform\u00e1tica em Educa\u00e7\u00e3o\u201d . Segue a hip\u00f3tese de trabalho dos autores:<\/p>\n<p class=\"blockquote\">Esse programa \u00e9 bastante peculiar e diferente do que foi proposto em outros pa\u00edses. No nosso programa, o papel do computador \u00e9 o de provocar mudan\u00e7as pedag\u00f3gicas profundas ao inv\u00e9s de &#8220;automatizar o ensino&#8221; ou promover a alfabetiza\u00e7\u00e3o em inform\u00e1tica como nos Estados Unidos, ou desenvolver a capacidade l\u00f3gica e preparar o aluno para trabalhar na empresa, como prop\u00f5e o programa de inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a. Essa peculiaridade do projeto brasileiro aliado aos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e a amplia\u00e7\u00e3o da gama de possibilidades pedag\u00f3gicas que os novos computadores e os diferentes \u201csoftware\u201d dispon\u00edveis oferecem, demandam uma nova abordagem para os cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores e novas pol\u00edticas para os projetos na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Os autores fazem primeiramente uma an\u00e1lise comparada da evolu\u00e7\u00e3o da IE nos EUA e na Fran\u00e7a com a ocorrida no Brasil, apontando semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as, para em seguida aprofundarem a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do professor que seria mais adequada ao desenvolvimento da IE no Brasil.<br \/>\n<\/section>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>RELAT\u00d3RIO DE ATIVIDADES (1996-2002) \u2013 MEC\/SEED\/DIED <a href=\"#BRASIL2005\">[BRASIL, 2005]<\/a><\/h5>\n<p>De acordo com o art. 1\u00ba e o par\u00e1grafo \u00fanico da <a href=\"http:\/\/www.dominiopublico.gov.br\/pesquisa\/DetalheObraForm.do?select_action=&#038;co_obra=22148\">Portaria n\u00ba 522, de 9 de abril de 1997<\/a>, o Programa Nacional de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o \u2013 ProInfo foi criado com os seguintes objetivos:<\/p>\n<section class=\"blockquote\">Art. 1\u00ba Fica criado o Programa Nacional de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o \u2013 ProInfo, com a finalidade de disseminar o uso pedag\u00f3gico das tecnologias de inform\u00e1tica e telecomunica\u00e7\u00f5es nas escolas p\u00fablicas de ensino fundamental e m\u00e9dio pertencentes \u00e0s redes estadual e municipal.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As a\u00e7\u00f5es do ProInfo ser\u00e3o desenvolvidas sob responsabilidade da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia deste Minist\u00e9rio, em articula\u00e7\u00e3o com a secretarias de educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal, dos Estados e dos Munic\u00edpios.<\/p>\n<\/section>\n<p>O Relat\u00f3rio ora comentado cont\u00e9m 76 p\u00e1ginas, sendo aproximadamente a metade formada por anexos. No corpo principal \u00e9 informado que o ProInfo teve financiamento do FNDE e, no caso das atividades internacionais desenvolvidas em parceria (p.ex.: RIVED), foram utilizados tamb\u00e9m recursos do BID e da UNESCO. Afirma-se que os objetivos do programa foram satisfatoriamente alcan\u00e7ados conforme se pode ver pelas metas atingidas (Quadro 1).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1376\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/quadro1.png\" alt=\"Quadro I - O que foi planejado e o que foi realizado\" width=\"738\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/quadro1.png 738w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/quadro1-300x129.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 738px) 100vw, 738px\" \/><\/p>\n<p>Aponta como fatores determinantes para o sucesso do programa as estrat\u00e9gias de implementa\u00e7\u00e3o adotadas, tais como: (i) trabalho colaborativo MEC &amp; Estados\/CONSED, (ii) modelo para aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos, (iii) instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura de NTE e CETE e (iv) um bem estruturado e amplo programa de forma\u00e7\u00e3o de RH (professores, t\u00e9cnicos, gestores, etc.) presencial e a dist\u00e2ncia, neste caso inclusive, com a constru\u00e7\u00e3o de uma AVA espec\u00edfico para este fim (e-ProInfo). Destaca tamb\u00e9m a parceria do ProInfo com outros setores da SEED e do MEC em geral (p.ex.: educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e educa\u00e7\u00e3o especial) ou, at\u00e9 mesmo, externos ao MEC.<br \/>\n<\/section>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>O PROGRAMA NACIONAL DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL (PROINFO) NO CONTEXTO DA DESCENTRALIZA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA EDUCACIONAL BRASILEIRA \u2013 R.B.Estev\u00e3o e G.O. Passos <a href=\"#ESTEVAO2015\">[ESTEV\u00c3O; PASSOS, 2015]<\/a><\/h5>\n<p>O Decreto No 6.300 de 12 de dezembro de 2007 que cria o Programa Nacional de Tecnologia Educacional &#8211; ProInfo (tamb\u00e9m denominado ProInfo 2 ou ProInfo Integrado) praticamente procura reafirmar e aperfei\u00e7oar os objetivos (art. 1\u00ba e par\u00e1grafo \u00fanico) e a din\u00e2mica da parceria institucional MEC\/FNDE &amp; Estados\/CONSED &amp; Munic\u00edpios\/UNDIME (art. 2\u00ba) que j\u00e1 havia sido proposta em 1997 pela Portaria n\u00ba 522 que criou o ProInfo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/HIEB_fig2.png\" alt=\"\" width=\"757\" height=\"394\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1390\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/HIEB_fig2.png 757w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/HIEB_fig2-300x156.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 757px) 100vw, 757px\" \/><\/p>\n<p>Os autores analisam o que eles denominam de engenharia institucional do ProInfo no per\u00edodo de (2007-2014) que tem, por um lado, a Uni\u00e3o como provedora de recursos direcionados \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura de inform\u00e1tica nas escolas, NTE estaduais e municipais e, de outro, as autoridades estaduais e municipais como respons\u00e1veis por meio de ades\u00e3o pelas demais demandas e custos necess\u00e1rios para a execu\u00e7\u00e3o de um projeto pedag\u00f3gico que tenha como base o uso das TIC, conforme ilustrado esquematicamente na Figura 1 e pela afirma\u00e7\u00e3o a seguir:<\/p>\n<section class=\"blockquote\">O ProInfo depende, portanto, da forma\u00e7\u00e3o de uma complexa rede de agentes p\u00fablicos \u2013 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o, secretarias, escolas \u2013 e de agentes n\u00e3o p\u00fablicos \u2013 CONSED e UNDIME.<\/section>\n<p>Ap\u00f3s discutir esta quest\u00e3o em um contexto mais amplo, ao qual denominaram \u201cFederalismo e indu\u00e7\u00e3o \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o brasileira contempor\u00e2nea\u201d, e tamb\u00e9m usando dados estat\u00edsticos de outros trabalhos, os autores concluem que:<\/p>\n<section class=\"blockquote\">a engenharia institucional, portanto, n\u00e3o favoreceu satisfatoriamente, como objetivava o programa, o uso pedag\u00f3gico das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o nas redes p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, ainda que tenha patrocinado a instala\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios, isto \u00e9, tenha disponibilizado os meios para a inclus\u00e3o digital desejada.<\/section>\n<\/section>\n<p>Com base no que de fato aconteceu e que foi retratado pelos artigos de cunho hist\u00f3rico documental apresentados acima <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a>, <a href=\"#VALENTE1997\">[VALENTE; ALMEIDA, 1997]<\/a>, <a href=\"#BRASIL2005\">[BRASIL, 2005]<\/a> e <a href=\"#ESTEVAO2015\">[ESTEV\u00c3O; PASSOS, 2015]<\/a> \u00e9 justo reconhecer que a Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil, enquanto uma atividade sistem\u00e1tica de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) e de uso em sala de aula como tecnologia educacional, tenha surgido como fruto de pol\u00edticas p\u00fablicas do governo brasileiro.<br \/>\nNo entanto, seria precipitado inferir a partir da afirma\u00e7\u00e3o acima que o estado da arte da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o na atualidade seja propriamente o resultado de um projeto governamental bem-sucedido. Vamos refletir sobre isso!<\/p>\n<p>Eu, pessoalmente, considero precipitado julgar que o desenvolvimento da IE no Brasil seja debitado t\u00e3o somente \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, primeiramente, porque como veremos a forma\u00e7\u00e3o da IE no Brasil n\u00e3o se deu propriamente na forma de um projeto, mas sim como um processo que vem evoluindo pela a\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos agentes interessados (\u201cstakeholders\u201d), dentre os quais certamente devem ser destacados os Governos (Pol\u00edticas P\u00fablicas) &amp; Estado (Leis). Por\u00e9m, h\u00e1 tamb\u00e9m outros agentes institucionais importantes como: a Academia (Desenvolvimento de Modelos, Forma\u00e7\u00e3o de Professores), Empresas (Servi\u00e7os e Produtos em TI), Escolas (Pr\u00e1ticas de Ensino) e Pais &amp; Respons\u00e1veis e Comunidade Vicinal (Engajamento, Compromisso, etc.).<\/p>\n<p>Em segundo lugar, mas n\u00e3o menos importante, porque h\u00e1 outros fatores al\u00e9m do institucional, tais como: o contexto pol\u00edtico-social-cultural-econ\u00f4mico sendo este, que estamos vivendo atualmente, genericamente denominado de globaliza\u00e7\u00e3o; e a pr\u00f3pria velocidade de evolu\u00e7\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TIC.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o desenvolvimento da IE no Brasil n\u00e3o \u00e9 (ainda) um caso de sucesso &#8211; como, ali\u00e1s, reconhecem por raz\u00f5es diferentes tr\u00eas dos quatro artigos comentados quando se pensa no uso do computador na ponta do processo: a sala de aula.<\/p>\n<p>Em minha opini\u00e3o, esses tr\u00eas aspectos t\u00eam sido os mais determinantes para moldar o percurso da Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil e, consequentemente, \u00e9 entorno dessas no\u00e7\u00f5es-chave que pretendo refletir e construir uma narrativa sobre o tema.<\/p>\n<h2 id=\"s3\">3 Tr\u00eas no\u00e7\u00f5es-chave no curso da hist\u00f3ria da inform\u00e1tica educacional brasileira<\/h2>\n<h5>3.1 O contexto pol\u00edtico-social-cultural-econ\u00f4mico atual globalizado<\/h5>\n<p>A Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea de conhecimento que surge no mundo ocidental nos anos 50 <a href=\"#SAMPAIO2017\">[SAMPAIO, PIMENTEL e SANTOS, 2017]<\/a> em um per\u00edodo ainda devastado pol\u00edtica e economicamente pela II Grande Guerra, mas tamb\u00e9m, bastante agitado por novas transforma\u00e7\u00f5es paradigm\u00e1ticas do pensamento filos\u00f3fico e cient\u00edfico iniciadas mais ou menos na mesma \u00e9poca.<\/p>\n<p>Estou me referindo ao in\u00edcio do chamado per\u00edodo que ainda hoje vivenciamos, marcado pelo paradigma da complexidade <a href=\"#MONOD1971\">[MONOD, 1971]<\/a>, <a href=\"#PRIGOGINE1984\">[PRIGOGINE e STENGERS, 1984]<\/a> e <a href=\"#MORIN2003\">[MORIN, 2003]<\/a> que prop\u00f5e uma nova vis\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es entre os seres humanos (\u201csujeitos\u201d) e os demais seres vivos ou inertes (\u201cobjetos\u201d), que deixam de serem vistas como um mon\u00f3logo \u2013 sobretudo no discurso cient\u00edfico &#8211; dos primeiros sobre os segundos e passam a serem reconhecidas como tendo um car\u00e1ter interativo e dial\u00f3gico entre todos.<\/p>\n<p>Jacques Monod, ao refletir sobre os sujeitos (humanos) como \u201cobjetos estranhos\u201d em sua obra \u201cO acaso e a necessidade\u201d <a href=\"#MONOD1971\">[MONOD, 1971]<\/a> prop\u00f5e o desafio mental descrito resumidamente no quadro abaixo, para em seguida apresentar argumentos valiosos justificando porque tal programa de computador, ora proposto por ele como um experimento mental, n\u00e3o funcionaria caso fosse implementado.<\/p>\n<p class=\"blockquote\">&#8220;&#8230;Desafio que um extraterrestre inteligente (um marciano graduado em inform\u00e1tica) possa construir um programa de computador capaz de fazer distin\u00e7\u00e3o entre seres naturais vivos e inertes, e, tamb\u00e9m, entre todos os seres naturais (vivos ou inertes) existentes e artefatos produzidos pelo homem no planeta Terra, a partir de suas propriedades macrosc\u00f3picas, tais como: (i) Forma, Estrutura e Geometria; (ii) Fun\u00e7\u00f5es; (iii) Hist\u00f3ria (Processo de forma\u00e7\u00e3o)&#8230;&#8221;*[reda\u00e7\u00e3o livre]<\/p>\n<\/section>\n<section class=\"quadro atividade\">\n<h5>ATIVIDADE: Tentando distinguir seres vivos de artefatos<\/h5>\n<p>A partir das propriedades macrosc\u00f3picas fundamentais sugeridas por Monod: (i) Forma, Estrutura e Geometria, (ii) Fun\u00e7\u00f5es, (iii) Hist\u00f3ria (Processo de forma\u00e7\u00e3o)&#8230;; ou de quaisquer outras, fa\u00e7a o exerc\u00edcio mental de tentar achar uma maneira program\u00e1vel de distinguir um v\u00edrus biol\u00f3gico de um v\u00edrus de computador.<br \/>\n<\/section>\n<p>Ap\u00f3s tecer considera\u00e7\u00f5es sobre essas propriedades que pareciam ser cruciais para marcar a diferen\u00e7a em tela e para as quais seria sempre poss\u00edvel encontrar exce\u00e7\u00f5es, Monod conclui que n\u00e3o se justifica a imagem &#8211; constru\u00edda ao longo de s\u00e9culos de conhecimento &#8211; dos seres vivos como \u201cobjetos estranhos\u201d, diferentes e afastados dos demais.<\/p>\n<p>O planeta Terra, por exemplo, tem dado sinais claros e recentes da inadequa\u00e7\u00e3o dessa distin\u00e7\u00e3o ao reagir com altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas: tempestades at\u00edpicas, ondas gigantes, etc.; \u00e0s agress\u00f5es do Homem ao meio ambiente como se fosse um organismo vivo, conforme temos presenciado e muito bem retrata James Lovelock em \u201cAs Eras de Gaia\u201d <a href=\"#LOVELOCK1991\">[LOVELOCK, 1991]<\/a>:<\/p>\n<section class=\"blockquote\">A vis\u00e3o fragmentada e parcelada do mundo em que vivemos, acentuada pela especializa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, retira-nos a capacidade sint\u00e9tica de observar o nosso planeta como algo mais do que um substrato inerte, onde a vida evolui em pequenos nichos e as perturba\u00e7\u00f5es s\u00e3o localizadas em pequenas \u00e1reas. \u00c9 preciso aprender a ver o nosso planeta azul como um sistema org\u00e2nico coerente e autorregulado, como se de um organismo vivo se tratasse. <strong>Gaia, a deusa da terra, est\u00e1 de volta e prepara-nos para uma nova compreens\u00e3o do nosso mundo<\/strong>. (grifo nosso)<\/p>\n<\/section>\n<p>Assim, os chamados sujeitos e objetos, al\u00e9m de serem conceitualmente indistingu\u00edveis, deixam de ser entidades pr\u00e9-concebidas e passam a ter uma exist\u00eancia que resulta e s\u00f3 persiste como entidade observacional relevante enquanto durar a intera\u00e7\u00e3o entre eles.<\/p>\n<section class=\"quadro atividade\">\n<h5>ATIVIDADE: Discuss\u00e3o em grupo<\/h5>\n<p>&#8220;A velha alian\u00e7a rompeu-se; o homem sabe finalmente que est\u00e1 s\u00f3 na imensid\u00e3o indiferente do Universo de que emergiu por acaso.&#8221; (Jacques Monod, &#8220;O Acaso e a Necessidade&#8221;).<\/section>\n<p>Os desdobramentos oriundos dessa mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica de natureza complexa sobre as mais diversas \u00e1reas do conhecimento s\u00e3o aparentemente invis\u00edveis, no n\u00edvel individual, mas, acreditem, exercem enorme influ\u00eancia subliminar no consciente coletivo. E aqui apelo a um fen\u00f4meno f\u00edsico para ilustrar, por analogia, a exist\u00eancia e o poder desta influ\u00eancia subjacente:<\/p>\n<p>\u00c9 bastante conhecido desde 1827 o chamado movimento browniano (Robert Brown) descrito por pequenas part\u00edculas macrosc\u00f3picas (p\u00f3len, p\u00f3 de giz, etc.) colocadas em um l\u00edquido, o qual foi posteriormente interpretado por Einstein como sendo um reflexo do movimento de in\u00fameras part\u00edculas invis\u00edveis de ordem at\u00f4mica colidindo com essas part\u00edculas e fazendo-as se movimentar erraticamente pelo l\u00edquido, sendo, portanto, uma evid\u00eancia indireta da exist\u00eancia da estrutura at\u00f4mica, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida.<\/p>\n<p>O \u2018movimento browniano atual\u2019, que nos ajuda a entender, por analogia, o fen\u00f4meno decorrente dessa mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica na epistemologia do conhecimento e nos diversos setores da sociedade, tem sido identificado como aquele movimento coletivo, aparentemente ca\u00f3tico, que integra, aproxima, conecta virtualmente mercados, economias e, at\u00e9 mesmo, pessoas por meio das redes sociais, alterando as no\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o, tempo e de realidade, intermediada por um sistema de informa\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o \u2018quase instant\u00e2neo\u2019. O seu nome gen\u00e9rico todos j\u00e1 ouvimos falar: Globaliza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Por outro lado, paradoxalmente, este mesmo movimento vem provocando, na sociedade, um fen\u00f4meno oposto: o da individualiza\u00e7\u00e3o que isola, fixa (localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica) e exclui fisicamente indiv\u00edduos. Fil\u00f3sofos, soci\u00f3logos e psic\u00f3logos j\u00e1 v\u00eam estudando h\u00e1 algum tempo a globaliza\u00e7\u00e3o e a paradoxal dicotomia entre \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o &amp; Individualiza\u00e7\u00e3o\u201d <a href=\"#BAUMAN1999\">[BAUMAN, 1999]<\/a>, embora isto hoje tamb\u00e9m (i.e., a exemplo do que vem ocorrendo com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas!) j\u00e1 esteja t\u00e3o evidente que pode ser constatado cotidianamente nos notici\u00e1rios e nas m\u00eddias sociais: o surgimento de movimentos neonacionalistas xen\u00f3fobos contr\u00e1rios ao fluxo de pessoas, propondo at\u00e9 literalmente a constru\u00e7\u00e3o de muros enormes e extensos para impedir estes movimentos.<\/p>\n<p>O fato decorrente da globaliza\u00e7\u00e3o mais relevante para nossa reflex\u00e3o aqui \u00e9 que at\u00e9 pouco tempo fal\u00e1vamos em mundo sempre no singular, porque entend\u00edamos como sendo algo inexoravelmente \u00fanico envolvendo tudo que existe de forma tang\u00edvel. Mas nos dias globalizados de hoje, a ci\u00eancia nos mostra que n\u00e3o h\u00e1 o real, mas sim diferentes n\u00edveis de realidade (ou seja, diferentes mundos) e que \u00e9 poss\u00edvel transitar \u201centre, atrav\u00e9s ou por meio\u201d deles <a href=\"#NICOLESCU2003\">[NICOLESCU, 2003]<\/a>, como por exemplo nos mostram hoje os conceitos de realidade, realidade virtual e de realidade aumentada, muito bem ilustrados pelo espet\u00e1culo circense \u201cA Lanterna M\u00e1gica\u201d em apresenta\u00e7\u00e3o h\u00e1 anos na cidade de Praga.<\/p>\n<figure>\nA Lanterna M\u00e1gica<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Lanterna Magika 1\" width=\"750\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l0K-XzzjxDQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><figcaption class=\"videoLegenda\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=l0K-XzzjxDQ\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=l0K-XzzjxDQ<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste sentido, n\u00e3o deve causar estranheza que este contexto pol\u00edtico-social-cultural-econ\u00f4mico venha sendo tratado na literatura de forma poliss\u00eamica, e com v\u00e1rias nomenclaturas, por diversos autores, conforme destaca <a href=\"#ALMEIDA2004\">[ALMEIDA, 2004]<\/a> em sua obra \u201cSociedade bit: Da sociedade da informa\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade do conhecimento\u201d:<\/p>\n<section class=\"blockquote\">(&#8230;)Sociedade p\u00f3s-industrial (Bell e Touraine), sociedade Tecnotr\u00f4nica (Brizenzinski), sociedade informatizada (Nora e Ninc), sociedade interconectada (James Martins), sociedade em rede (Manuel Castels), sociedade p\u00f3s-capitalista (Ralf Dahrendof, Peter Drucker), estado telem\u00e1tico (Rom\u00e1n Gubern), aldeia global (McLuhan) e sociedade digital (Negroponte, Terceiro, Bustaminte), cybersociedade (Joines). Dentre as mais conhecidas, sociedade da informa\u00e7\u00e3o (Daniel Bell) e sociedade do conhecimento (Peter Druker).<\/p>\n<\/section>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o no Brasil ao longo dos \u00faltimos 40 anos n\u00e3o poderia fugir a esta influ\u00eancia conceitual intr\u00ednseca e subliminar de sua \u00e9poca. Assim, conhecer este \u2018movimento browniano\u2019 causado pelo contexto pol\u00edtico-social-cient\u00edfico \u00e9 fundamental para entender as escolhas e os caminhos percorridos pela Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o, tanto no Brasil quanto fora dele. Neste sentido, \u00e9 importante se debru\u00e7ar sobre as reflex\u00f5es de pesquisadores e fil\u00f3sofos da Complexidade, Construtivismo Cognitivo e do Construtivismo Social e Pol\u00edtico. Al\u00e9m dos autores j\u00e1 citados aqui, n\u00e3o podem deixar de ser lidos os trabalhos publicados por Edgar Morin e Pierre L\u00e9vy.<\/p>\n<h5>3.2 A Evolu\u00e7\u00e3o das Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e da Comunica\u00e7\u00e3o-TIC<\/h5>\n<p>Como parte da tend\u00eancia conceitual que permeava o pensamento filos\u00f3fico e cient\u00edfico da \u00e9poca, aqueles que nos anos 40 e 50 se dedicavam aos temas relacionados \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o (transmiss\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o) passaram a enxergar a informa\u00e7\u00e3o de uma forma diferente, isto \u00e9: n\u00e3o apenas como aquilo que a gente j\u00e1 sabe, mas tamb\u00e9m e, sobretudo, como aquilo que a gente ainda n\u00e3o sabe. Quer dizer, at\u00e9 ent\u00e3o, durante um processo de comunica\u00e7\u00e3o entre uma fonte emissora e um receptor tudo que n\u00e3o era conhecido era considerado ru\u00eddo. Mas em uma perspectiva complexa, depois de <a href=\"#SHANNON1963\">[SHANNON; WEAVER, 1963]<\/a> este inc\u00f4modo ru\u00eddo deixou de ser apenas um ru\u00eddo e passou ser visto como parte da informa\u00e7\u00e3o, pois resultava de uma intera\u00e7\u00e3o do sinal transmitido com o meio (f\u00edsico e social) ao seu redor.<\/p>\n<p>Em suma, a informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passou a ser entendida como fazendo parte do mundo f\u00edsico (natureza), transmitindo energia e tudo mais, mas isto \u00e9 outra hist\u00f3ria que tamb\u00e9m vale a pena aprofundar em outra oportunidade..!<\/p>\n<p>E esta sutil mudan\u00e7a na maneira de descrever o processo de comunica\u00e7\u00e3o foi, metaforicamente falando, \u201co bater de asas de uma borboleta\u201d que fez com que a ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o evolu\u00edsse vertiginosamente em poucos anos (1950-Hoje) em termos de hardware, linguagem de programa\u00e7\u00e3o e de sistemas operacionais (SO): \u201cmain frames\u201d, programa\u00e7\u00e3o sequencial, internet n\u00e3o comercial (Arpanet), minicomputadores, DOS, microcomputadores, programa\u00e7\u00e3o orientada a objetos, Windows, Windows NT linguagem hipertextual, IHC, web, web 2.0, intelig\u00eancia artificial, rob\u00f3tica, realidade virtual, realidade aumentada, computa\u00e7\u00e3o nas nuvens, ontologias, internet das coisas, intelig\u00eancia artificial e&#8230; o que mais estiver vindo por a\u00ed!<\/p>\n<p>Da mesma forma que h\u00e1 um paralelismo entre a evolu\u00e7\u00e3o do software\/SO com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do hardware, tamb\u00e9m seria esperado que a evolu\u00e7\u00e3o destes artefatos computacionais como um todo (TIC) tivesse tamb\u00e9m um enorme impacto direto sobre a forma como essas tecnologias foram apropriadas e transformadas em tecnologia aplicadas a outras \u00e1reas, como por exemplo, em tecnologia educacional (ou seja, em IE) pelos principais protagonistas do processo: governo, pesquisadores, empresas, escolas, professores, alunos, para citar os mais importantes, cujo papel e protagonismo ser\u00e3o discutidos mais adiante (Se\u00e7\u00e3o 3.3).<\/p>\n<p>Nas subse\u00e7\u00f5es a seguir procuraremos demonstrar o paralelismo evolutivo entre as (TIC) e a (IE) adotando como marcos evolutivos para pautar a discuss\u00e3o, de um lado, alguns dos conhecidos dispositivos de software\/SO &amp; hardware e, de outro, algumas formas de aplica\u00e7\u00e3o do computador na educa\u00e7\u00e3o que foram utilizadas.<\/p>\n<h5>3.2.1 Computadores de grande porte (Mainframes)<\/h5>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 50 os computadores eram de grande porte (os \u201cmainframes\u201d) e do tipo monousu\u00e1rio, que prevaleceram at\u00e9 o final dos anos 60. Devido ao seu porte, havia necessidade de haver um \u00fanico espa\u00e7o &#8211; denominado Centro de Processamento de Dados (CPD) &#8211; para acomodar a sua enorme infraestrutura. Os seus custos de manuten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m eram muito elevados, incluindo o consumo de energia, pois seus circuitos l\u00f3gicos ainda eram constru\u00eddos a base de v\u00e1lvulas eletr\u00f4nicas ao inv\u00e9s dos atuais CI\/Microprocessadores. E a interface com o usu\u00e1rio era feita com cart\u00f5es perfurados. Tudo isso inviabilizava a dissemina\u00e7\u00e3o generalizada de seu uso por profissionais de outras \u00e1reas.<\/p>\n<figure>\nFigura 2 &#8211; Ritchie e Thompson estavam trabalhando juntos no projeto Multics em 1968-69<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ken_Thompson_sitting_and_Dennis_Ritchie_at_PDP-11_2876612463-1024x820.jpg\" alt=\"Ken Thompson e Dennis Ritchie\" width=\"750\" height=\"601\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1543\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ken_Thompson_sitting_and_Dennis_Ritchie_at_PDP-11_2876612463-1024x820.jpg 1024w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ken_Thompson_sitting_and_Dennis_Ritchie_at_PDP-11_2876612463-300x240.jpg 300w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ken_Thompson_sitting_and_Dennis_Ritchie_at_PDP-11_2876612463-768x615.jpg 768w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ken_Thompson_sitting_and_Dennis_Ritchie_at_PDP-11_2876612463.jpg 1124w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption>Fonte: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Ken_Thompson_(sitting)_and_Dennis_Ritchie_at_PDP-11_(2876612463).jpg\">Wikipedia<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>Assim, esses computadores praticamente foram apenas utilizados, como um objeto de estudo e de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de profissionais de computa\u00e7\u00e3o em sistemas operacionais e em linguagem de programa\u00e7\u00e3o (FORTRAN, BASIC, COBOL, etc.), pelos departamentos de engenharia das universidades (os embri\u00f5es dos departamentos de computa\u00e7\u00e3o, sendo o CPD da PUC-Rio um dos pioneiros no Brasil) e empresas do pr\u00f3prio ramo (como por exemplo, IBM e Borroughs), n\u00e3o se caracterizando portanto, no contexto do presente trabalho, como uma tecnologia educacional e, consequentemente, uma pr\u00e1tica de inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5>3.2.2 Minicomputadores<\/h5>\n<p>O surgimento dos minicomputadores no in\u00edcio dos anos 70 possibilitou, pela primeira vez, o uso do computador como tecnologia educacional propriamente dita. As dimens\u00f5es dos minicomputadores poderiam ser comparadas a de um arm\u00e1rio de roupas de um quarto, podendo ser colocados, por exemplo, contra a parede no canto de uma sala. Sua interface com o usu\u00e1rio era uma m\u00e1quina de teletipo, parecida com uma m\u00e1quina de escrever (se \u00e9 que voc\u00ea chegou a ver alguma em sua casa ou de parentes). Se o usu\u00e1rio errasse algo na sua linha de comunica\u00e7\u00e3o ou de comando, ele (a) tinha que digitar desde o in\u00edcio toda a linha de novo. A m\u00eddia para armazenamento de dados era uma fita perfurada e\/ou uma fita magn\u00e9tica. Ou seja, tudo era muito pouco amig\u00e1vel at\u00e9 mesmo para um profissional e, para um aprendiz ent\u00e3o, era quase uma tortura.<\/p>\n<p>Contudo, naquela \u00e9poca as ideias do p\u00f3s-modernismo a que nos referimos anteriormente (Se\u00e7\u00e3o 3.1), ainda n\u00e3o haviam sido reverberadas e compreendidas o suficiente (a Gestalt, ou seja, uma vis\u00e3o sist\u00eamica do todo, ainda era uma ideia embrion\u00e1ria na psicologia da aprendizagem) e, portanto, ainda prevalecia o referencial comportamentalista de est\u00edmulo-resposta liderado pelos trabalhos de Skinner, o qual deu margem a projetos e modelos did\u00e1ticos baseados na instru\u00e7\u00e3o-avalia\u00e7\u00e3o formativa dos chamados objetivos educacionais. Ou seja, as demandas TIC desses projetos poderiam ser perfeitamente atendidas pela oferta existente dos minicomputadores na forma de \u201cm\u00e1quinas de ensinar\u201d <a href=\"#RODRIGUES2014\">[RODRIGUES, 2014]<\/a>.<\/p>\n<p>A instru\u00e7\u00e3o programada, mais conhecida \u00e0 \u00e9poca pela sigla CAI (ou instru\u00e7\u00e3o auxiliada por computador, em ingl\u00eas) foi um desses projetos did\u00e1ticos propostos para uso com os minicomputadores tendo como base o trip\u00e9: est\u00edmulo-resposta, objetivos educacionais e avalia\u00e7\u00e3o formativa. Nesta modalidade, os alunos s\u00e3o submetidos a uma bateria de quesitos com resposta objetiva (certo ou errado, m\u00faltipla escolha, etc.), cada qual constru\u00eddo na medida do poss\u00edvel versando sobre um \u00fanico objetivo educacional. As respostas dos respondentes s\u00e3o ent\u00e3o comparadas pelo computador com uma matriz de refer\u00eancia constru\u00edda a partir de uma determinada taxonomia (sendo a mais popular a taxonomia de <a href=\"#BLOOM1974\">[BLOOM, 1974]<\/a>) que, no caso de um razo\u00e1vel sucesso, retorna um escore e uma mensagem de est\u00edmulo levando o aluno a progredir com desafios mais complexos, ou ent\u00e3o, no caso de um desempenho inaceit\u00e1vel, redireciona o respondente para outra bateria de quest\u00f5es relacionadas com a falta dos prov\u00e1veis pr\u00e9-requisitos que geraram aquele mau resultado, al\u00e9m tamb\u00e9m de enviar uma mensagem de est\u00edmulo.<\/p>\n<p>Um projeto com tecnologia educacional nos moldes CAI voltado para o ensino da disciplina de qu\u00edmica na \u00e1rea de sa\u00fade foi desenvolvido pelo NUTES\/UFRJ a partir de 1973.<\/p>\n<h5>3.2.3 Microcomputadores<\/h5>\n<p>Nos meados dos anos 70, os microcomputadores de uso pessoal come\u00e7aram a aparecer no mercado, sendo que a explos\u00e3o comercial se deu com o lan\u00e7amento do Apple II na segunda metade daquela d\u00e9cada. No Brasil, entretanto, a sua dissemina\u00e7\u00e3o ocorreu ao longo dos anos 80, mormente, atrav\u00e9s da plataforma tecnol\u00f3gica IBM PC (8, 16, 32,&#8230;bits). A plataforma MSX de origem japonesa, que tinha uma interface gr\u00e1fica em v\u00e1rias camadas (\u201csprites\u201d) e utilizava o aparelho de TV colorido como monitor, tamb\u00e9m conquistou por alguns anos uma boa fatia do mercado brasileiro.<\/p>\n<p>As v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de microcomputadores \u201cIBM PC compat\u00edveis\u201d &#8211; fabricados por diversas empresas de TI &#8211; utilizavam o DOS (sistema operacional em disco, em ingl\u00eas), a interface com o usu\u00e1rio era serial via teclado e via monitores com poucos recursos gr\u00e1ficos (telas verdes ou \u00e2mbar), sendo os aplicativos comerciais mais comuns o editor de texto e a planilha eletr\u00f4nica, desenvolvidos em linguagem que ainda seguiam o paradigma da programa\u00e7\u00e3o sequencial.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica representada pela chegada dos microcomputadores aumentou consideravelmente o potencial de uso do computador na Educa\u00e7\u00e3o como tecnologia educacional, n\u00e3o somente pelo uso dos aplicativos comerciais, mas tamb\u00e9m pela possibilidade de constru\u00e7\u00e3o, aplica\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de simula\u00e7\u00f5es de situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem diversas. Nesta linha foram desenvolvidos os projetos brasileiros EDUCOM ao longo dos anos 80 (vide Se\u00e7\u00e3o 3.3.1).<\/p>\n<h5>3.2.4 Sistema Operacional Windows e POO<\/h5>\n<p>Pode-se afirmar que, com a evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas operacionais, o paradigma da programa\u00e7\u00e3o orientada a objeto (POO) criada no final dos anos 60 popularizou-se na virada dos anos 80\/90, contribuindo para um salto de qualidade na produ\u00e7\u00e3o de aplicativos mais amig\u00e1veis<br \/>\nA bem da verdade, at\u00e9 ent\u00e3o o uso do computador na educa\u00e7\u00e3o era um projeto de pesquisa das universidades, uma pol\u00edtica governamental ou um projeto empresarial, mas certamente n\u00e3o era um desejo do fundo d\u2019alma do p\u00fablico-alvo na \u00e1rea educacional. Isto porque, conforme tentei demonstrar at\u00e9 aqui no presente texto, as ofertas das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o existentes eram ainda \u00e1ridas e muito pouco atraentes: o oposto do que acontece hoje em dia!<\/p>\n<p>Assim, um esfor\u00e7o consider\u00e1vel era desprendido pelos agentes proponentes para sensibilizar e motivar as escolas, os professores e os alunos a aderirem \u00e0 causa, porque o n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o que se oferecia para eles, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o passava do limite de serem meros consumidores da tecnologia sem qualquer possibilidade, por exemplo, de serem parceiros no processo de cria\u00e7\u00e3o do material did\u00e1tico informatizado.<\/p>\n<p>Contudo, os novos sistemas operacionais Windows aliados \u00e0 j\u00e1 existente programa\u00e7\u00e3o orientada a objeto geraram consequ\u00eancias pr\u00e1ticas imediatas, a saber: as interfaces gr\u00e1ficas (janelas) baseadas em eventos (mouse) com o usu\u00e1rio; e fez com que em pouco tempo esta tend\u00eancia de desinteresse se invertesse e os computadores passassem a serem usados em casa e em v\u00e1rios setores profissionais, dando in\u00edcio ao quadro de total ader\u00eancia que se constata hoje.<\/p>\n<p>Os microcomputadores IBM PC compat\u00edveis continuaram (tal como ainda hoje) dominando o mercado brasileiro, mas passaram a ser equipados com o sistema operacional Windows da Microsoft e, mais recentemente, por for\u00e7a de uma pol\u00edtica p\u00fablica do governo federal, com sistemas livres (n\u00e3o propriet\u00e1rios).<\/p>\n<p>Seguindo esta explos\u00e3o de demanda, os pais de alunos passaram a pressionar as escolas para que seus filhos tivessem aulas com o computador. Esta press\u00e3o levou algumas escolas particulares, por falta de op\u00e7\u00e3o, a aceitarem algumas solu\u00e7\u00f5es de inform\u00e1tica educativa de qualidade duvidosa, sendo (posteriormente) a mais criticada a iniciativa de terceirizar esses servi\u00e7os a empresas que rapidamente passaram a aparecer (e a desaparecer!) no mercado.<\/p>\n<p>Felizmente esta foi uma fase de curta dura\u00e7\u00e3o, porque logo o reequil\u00edbrio entre a oferta e a demanda foi estabelecido, sobretudo, com a disponibiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas de autoria altamente amig\u00e1veis (p.ex.: MS Visual Basic) para que usu\u00e1rios n\u00e3o especialistas em TI &#8211; tais como professores e alunos &#8211; pudessem ser os autores de seus pr\u00f3prios programas de ensino-aprendizagem por computador.<\/p>\n<p>Portanto, concluindo a explica\u00e7\u00e3o, pode-se realmente dizer que a inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o, como uma \u00e1rea de conhecimento efetivamente reconhecida e internalizada na pr\u00e1tica escolar como uma tecnologia educacional com potencial reconhecido para auxiliar a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, come\u00e7ou de fato no in\u00edcio dos anos 90, fase essa identificada pela sigla CAL (aprendizagem auxiliada por computador, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Como tal, ela s\u00f3 vem crescendo e de forma exponencial, a ponto de hoje os alunos entrarem na escola com total dom\u00ednio da tecnologia TIC necess\u00e1ria para ser utilizada como tecnologia educacional no n\u00edvel de escolaridade da sua entrada e, em muitos casos, com um dom\u00ednio maior daquele de seus professores).<\/p>\n<p>Este curioso e tempor\u00e1rio desbalanceamento foi muito bem estudado por Marc Prensky que, em 2001, denominou os jovens alunos nascidos em coortes posteriores a 1980 de nativos digitais e, seus professores, n\u00e3o t\u00e3o jovens assim, de imigrantes digitais.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/nativosdigitais.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/nativosdigitais-1024x791.jpeg\" alt=\"Nativos Digitais\" width=\"50%\" height=\"579\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1723\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/nativosdigitais-1024x791.jpeg 1024w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/nativosdigitais-300x232.jpeg 300w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/nativosdigitais-768x594.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<section class=\"quadro atividade\">\n<h5>ATIVIDADE: Idealizando uma escola do amanh\u00e3<\/h5>\n<p>Alan Kay foi quem criou o termo \u201cprograma\u00e7\u00e3o orientada a objetos -POO\u201d e consta que ele se inspirou, por um lado nos seus conhecimentos de biologia, em particular, na estrutura celular que se baseia na individualiza\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas e nas suas rela\u00e7\u00f5es funcionais com as demais e, por outro lado, no est\u00e1gio que fez com Seymour Papert quando constatou a efic\u00e1cia do aprendizado das crian\u00e7as manipulando imagens em computador.<br \/>\nConsiderando sua pr\u00f3pria experi\u00eancia como estudante e estes relatos sobre as origens e o impacto do paradigma POO sobre a ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o e de \u00e1reas correlatas, como voc\u00ea usaria estas informa\u00e7\u00f5es como fonte de inspira\u00e7\u00e3o para desenhar uma escola do per\u00edodo p\u00f3s-moderno que, ao mesmo tempo, respeite a individualidade dos alunos e promova a intelig\u00eancia coletiva?<br \/>\n<\/section>\n<h5>3.2.5 Web e Web 2.0<\/h5>\n<p>Ainda em meados dos anos 90, portanto pouco tempo depois do in\u00edcio das transforma\u00e7\u00f5es paradigm\u00e1ticas comentadas na se\u00e7\u00e3o anterior e viabilizadas pela evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas operacionais, houve outra transforma\u00e7\u00e3o de profundo impacto que foi a oferta dos servi\u00e7os de uma ampla rede de computadores interligados, aberta comercialmente ao grande p\u00fablico, que se popularizou pelo termo \u201cInternet\u201d em ingl\u00eas (e pela sigla WWW-World Wide Web, tamb\u00e9m em ingl\u00eas), a qual j\u00e1 existia h\u00e1 algum tempo de forma restrita ao meio militar e acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Naquele in\u00edcio, como ainda hoje, os servi\u00e7os comerciais mais comuns foram o correio eletr\u00f4nico e a publica\u00e7\u00e3o de p\u00e1ginas eletr\u00f4nicas (HTTP \u2013 HyperText Transfer Protocol) usando a linguagem HTML (HiperText Markup Language) contendo hipertextos, imagens, ponteiros que fazem a liga\u00e7\u00e3o com outras p\u00e1ginas, e formul\u00e1rios que permitem a troca de informa\u00e7\u00f5es entre os usu\u00e1rios finais e o autor da p\u00e1gina. O servi\u00e7o FTP (File Transfer Protocol) para transfer\u00eancia de arquivos Uploading\/Downloading) tamb\u00e9m tem sido bastante utilizado.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o dessas duas inova\u00e7\u00f5es foi explosiva para a \u00e1rea de inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o, pois logo se vislumbrou a possibilidade de usar a rede Web na modalidade de ensino (e educa\u00e7\u00e3o) a dist\u00e2ncia (EAD), uma pr\u00e1tica j\u00e1 bastante difundida no Brasil desde os anos 50, mas que ca\u00edra em desuso justamente por falta de uma tecnologia TIC que a tornasse menos trabalhosa.<\/p>\n<p>Eu testemunhei esta dificuldade: tirar d\u00favidas por meio de cartas respondidas manuscritamente postadas no correio e\/ou por prolongadas liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas recebidas a qualquer hora, etc.; quando participei em 1983 do Projeto CAPES\/ABT- \u201c P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia: Uma alternativa vi\u00e1vel\u201d [MAGALH\u00c3ES e OLIVEIRA, 1986]. Embora trabalhosa, foi uma experi\u00eancia muito gratificante.<\/p>\n<p>O Documento t\u00e9cnico <a href=\"BRASIL2014\">[BRASIL, 2014]<\/a> \u201ccontendo estudo anal\u00edtico das diretrizes, regulamenta\u00e7\u00f5es, padr\u00f5es de qualidade\/regula\u00e7\u00e3o da EAD, com vistas a identificar pol\u00edticas e indicadores de expans\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior em EAD\u201d apresenta, dentre outros, um interessante levantamento sobre a evolu\u00e7\u00e3o da EAD (Figura 3).<\/p>\n<figure>\nFigura 3: Gera\u00e7\u00f5es do EaD<br \/>\n    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/HIEB_fig5.png\" alt=\"\" width=\"734\" height=\"146\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1391\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/HIEB_fig5.png 734w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/HIEB_fig5-300x60.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 734px) 100vw, 734px\" \/><figcaption>Fonte: Quadro elaborado pela autora <a href=\"BRASIL2014\">[BRASIL, 2014]<\/a> com base em Moore e Kearsley (2007)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O curioso no desenvolvimento da EAD, sob o ponto de vista de sua rela\u00e7\u00e3o com a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia TIC, \u00e9 que ela teve que percorrer o mesmo percurso tra\u00e7ado pela IE at\u00e9 aquele momento (leia-se: CAI e CAL), n\u00e3o tendo sido poss\u00edvel pular qualquer uma dessas duas etapas. E a mais prov\u00e1vel explica\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 que o quadro tecnol\u00f3gico inicial que provia os servi\u00e7os de rede era muito lento porque (i) na maioria dos casos, o uso pessoal da internet era feito por meio de uma linha telef\u00f4nica discada e (ii) a linguagem utilizada para o servi\u00e7o de internet \u201chttp\u201d era um HTML com poucos recursos din\u00e2micos que permitissem, por exemplo, atualiza\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e intera\u00e7\u00f5es frequentes entre a m\u00e1quina servidora e a m\u00e1quina do usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Assim, em conformidade com este v\u00ednculo tecnol\u00f3gico desfavor\u00e1vel, a primeira gera\u00e7\u00e3o de propostas de EAD\/TIC no Brasil ou em qualquer outro pa\u00eds n\u00e3o foi al\u00e9m da oferta de cursos \u00e0 dist\u00e2ncia por meio da disponibiliza\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico virtual na rede para fins de compartilhamento, instru\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de rendimento escolar. Ou seja, uma proposta que pedagogicamente se assemelha \u00e0 instru\u00e7\u00e3o programada (CAI), porque \u00e9 r\u00edgida e reproduz o modelo 1: N do professor provedor de conhecimento de um lado e, de outro, os alunos como consumidores passivos.<\/p>\n<p>Com o cont\u00ednuo desenvolvimento tecnol\u00f3gico, embora ainda dentro do mesmo paradigma, as redes foram tornando-se mais r\u00e1pidas e a atualiza\u00e7\u00e3o de uma nova informa\u00e7\u00e3o (p.ex.: uma linha de texto ou imagem) em uma p\u00e1gina n\u00e3o requeria mais o reenvio da p\u00e1gina inteira pelo servidor (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/AJAX_(programa%C3%A7%C3%A3o)\">AJAX<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/JSON\">JSON<\/a>). Ent\u00e3o neste novo contexto tecnol\u00f3gico, a segunda gera\u00e7\u00e3o da EAD\/TIC pode avan\u00e7ar com ganhos de interatividade e se tornou mais atraente, assumindo contornos de um CAL, onde o foco passa a ser o de uma aprendizagem significativa pass\u00edvel de ser alcan\u00e7ada por meio da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, e o projeto de ensino-aprendizagem passa a ser do tipo N: N, embora o professor ainda exer\u00e7a um papel central. A EAD\/TIC pode ent\u00e3o se tornar potencialmente uma extens\u00e3o da escola real, uma transforma\u00e7\u00e3o que <a href=\"#VALENTE2003\">[VALENTE, 2003]<\/a> apropriadamente denominou de \u201cVirtualiza\u00e7\u00e3o da Escola Tradicional\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o por volta de 2003, eis que chega a chamada <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Web_2.0\">Web 2.0<\/a> que representa um novo conjunto de mudan\u00e7as paradigm\u00e1ticas na \u00e1rea de desenvolvimento de p\u00e1ginas web via a linguagem com marca\u00e7\u00e3o de \u201cTAGS\u201d que tornam, n\u00e3o s\u00f3 a linguagem padr\u00e3o (HTML) uma linguagem muito mais leve e rica em recursos din\u00e2micos com a introdu\u00e7\u00e3o de novas marca\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m abre a possibilidade do uso de outras linguagens marcadas com \u201cTAGS personalizadas\u201d, que n\u00e3o constam do dicion\u00e1rio padr\u00e3o HTML.<\/p>\n<p>Essas novas linguagens, denominadas de XML (eXtensible Markup Language), abrem v\u00e1rias janelas de possibilidades para o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es via a internet, como por exemplo o MathML: formato para express\u00f5es matem\u00e1ticas. E, como era de se esperar, isto causa outra importante revolu\u00e7\u00e3o no uso da web em todos os setores, sendo que as inova\u00e7\u00f5es que surgiram a partir desse advento foram sempre no sentido de aumentar cada vez mais a interatividade, tornar o usu\u00e1rio um parceiro ativo e, sobretudo, tornar a web um processo de constru\u00e7\u00e3o coletiva e social do conhecimento e n\u00e3o apenas um projeto de um e de outro indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>E a \u00e1rea de EAD\/TIC foi sendo cada vez mais arrastada para o centro deste furac\u00e3o dando in\u00edcio a sua terceira gera\u00e7\u00e3o, como se pode verificar pelo uso cada vez mais frequente das redes sociais na educa\u00e7\u00e3o, em detrimento de ambientes desenvolvidos especificamente com fins educacionais.<br \/>\nNa gera\u00e7\u00e3o da \u201cEAD\/TIC 2.0\u201d: o professor deixa de ter o papel central que sempre teve; e o ensino-aprendizagem deixa de ser um projeto 1: N ou N: N do professor para ser um processo N: N de todos no qual o professor continua tendo uma influ\u00eancia importante por meio da sua intencionalidade, mas sem o protagonismo das fases anteriores (CAI e CAL). O modelo pedag\u00f3gico identificado na literatura acad\u00eamica como sendo o mais adequado para representar esta gera\u00e7\u00e3o \u00e9 o CSCL (aprendizagem colaborativa auxiliada por computador, em ingl\u00eas).<\/p>\n<section class=\"blockquote\">\nAssim, abandona-se a arcaica vis\u00e3o do professor como o fiel e \u00fanico deposit\u00e1rio do poder e do conhecimento absoluto, como aquele que percebia em seus alunos apenas recept\u00e1culos passivos para seus ensinamentos, fazendo da aprendizagem uma via de m\u00e3o \u00fanica. O novo paradigma prop\u00f5e que o aprendizado ocorra em ambos os sentidos, caracterizando uma troca em que professor e aluno compartilham experi\u00eancias e informa\u00e7\u00f5es em busca da s\u00edntese que representa um novo conhecimento. Neste cen\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 os alunos devem aprender, mas os professores tamb\u00e9m. <a href=\"#FERRAO2011\">[FERR\u00c3O, 2011]<\/a><\/p>\n<\/section>\n<h5>3.2.6 Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA)<\/h5>\n<p>Cabe aqui comentar que as plataformas tecnol\u00f3gicas de EAD tamb\u00e9m sofreram uma evolu\u00e7\u00e3o em paralelo com a evolu\u00e7\u00e3o da EAD\/TIC resumida acima. Para gerenciar a primeira gera\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas CAI foram desenvolvidas no pa\u00eds diversas plataformas de ensino a dist\u00e2ncia genericamente identificadas pela sigla AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) ou pela sigla LMS (sistemas de gerenciamento da aprendizagem, em ingl\u00eas), sendo as mais antigas o AulaNet <a href=\"#LUCENA1998\">[LUCENA et al, 1998]<\/a> e o TelEduc <a href=\"#CERCEAU1998\">[CERCEAU, 1998]<\/a> desenvolvidas, respectivamente, pelo Departamento de Inform\u00e1tica da PUC-Rio e pelo N\u00facleo de Inform\u00e1tica Aplicada \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o da Unicamp.<\/p>\n<p>A segunda gera\u00e7\u00e3o demandou plataformas mais flex\u00edveis e abertas n\u00e3o corporativas, de forma que qualquer usu\u00e1rio-professor pudesse autonomamente publicar material did\u00e1tico de sua autoria na internet sem maiores dificuldades e que usu\u00e1rios-alunos dispusessem de um n\u00famero maior de ferramentas interativas (e mais adaptadas a sua forma de aprender) para auxiliar uma aprendizagem significativa e uma avalia\u00e7\u00e3o formativa eficaz.<\/p>\n<p>Muitas plataformas foram desenvolvidas no Brasil e no exterior buscando preencher essas caracter\u00edsticas, algumas vingaram outras n\u00e3o. Um exemplo de sucesso de aceita\u00e7\u00e3o por parte dos usu\u00e1rios \u00e9 a plataforma de c\u00f3digo aberto <a href=\"#MOODLE2001\">[MOODLE, 2001]<\/a> desenvolvida na Austr\u00e1lia que, desde ent\u00e3o, tem sido enriquecida por diversos novos recursos desenvolvidos por terceiros agregados ao ambiente por meio de \u201cplug ins\u201d.<\/p>\n<p>As plataformas da terceira gera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 criadas sob influ\u00eancia do paradigma tecnol\u00f3gico da Web 2.0, s\u00e3o ambientes de ensino-aprendizagem em que o p\u00fablico-alvo, de comum acordo com o professor respons\u00e1vel, inclui\/exclui dinamicamente (i.e., por meio de um simples clique, toque ou arrasto) recursos, funcionalidades e ferramentas que atendam os interesses e necessidades imediatas daquele grupo, e que possam ser acessados em dispositivos eletr\u00f4nicos diversos (Desktop, Laptop, Tablet, Smartphone, etc.) de qualquer lugar e em qualquer tempo.<\/p>\n<p>Em geral, esses recursos encontram-se dispon\u00edveis em uma nuvem de acesso restrito \u00e0 comunidade de pr\u00e1tica educacional a que o grupo em quest\u00e3o pertence e podem ser selecionados pelas pessoas que o comp\u00f5em com base em seus objetivos.<\/p>\n<section class=\"blockquote\">Como pode a sociedade identificar quem det\u00e9m o conhecimento nas universidades? Quem s\u00e3o os especialistas? Onde est\u00e3o os pesquisadores com interesses comuns? Como pode algu\u00e9m mapear o conhecimento produzido nas universidades? Estas s\u00e3o algumas quest\u00f5es que motivaram o desenvolvimento da plataforma ActivUFRJ que d\u00e1 apoio \u00e0s atividades universit\u00e1rias acad\u00eamicas e sociais: disciplinas, orienta\u00e7\u00e3o, projetos, eventos, grupos de atividades pr\u00e1ticas em laborat\u00f3rio, etc.<\/p>\n<p>(&#8230;) com foco na intera\u00e7\u00e3o entre usu\u00e1rios, h\u00e1 \u2018chats\u2019. \u2018blogs\u2019, \u2018microblog\u2019,etc.<br \/>\n(&#8230;) est\u00e1 sempre incorporando novos servi\u00e7os e ferramentas requeridos pelos usu\u00e1rios.<br \/>\n<a href=\"#UFRJ2019\">[ActivUFRJ, 2019]<\/a><\/p>\n<\/section>\n<h5>3.3 Os Agentes que protagonizaram a forma\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de IE no Brasil<\/h5>\n<p>Como j\u00e1 enfatizei, al\u00e9m das pol\u00edticas p\u00fablicas introduzidas pelo Estado e Governos, h\u00e1 outros agentes institucionais importantes a serem considerados no processo de implanta\u00e7\u00e3o da IE no Brasil. No que se refere aos agentes p\u00fablicos, tendo em vista que os artigos comentados na se\u00e7\u00e3o 2 j\u00e1 trataram este tema com detalhes e de forma documental, faremos aqui apenas uma breve reapresenta\u00e7\u00e3o dos mesmos, seguida de uma an\u00e1lise cr\u00edtica.<\/p>\n<h5>3.3.1 Pol\u00edticas p\u00fablicas de Estado e de Governos em IE<\/h5>\n<p>Recordando, nos idos dos anos 80 a longa noite da ditadura militar estava nos seus sussurros da dispneia, mas mesmo assim o governo ainda teve ar para propor uma lei de \u201cReserva de Mercado para a Inform\u00e1tica\u201d (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L7232.htm\">Lei Federal n\u00ba 7.232\/84<\/a>) e, como parte desta pol\u00edtica nacionalista, resultou o PROJETO EDUCOM, promovido pela Secretaria Especial de Inform\u00e1tica (SEI), com o objetivo maior de estimular pesquisas nas universidades brasileiras sobre o uso do computador como tecnologia educacional.<\/p>\n<p>Foram selecionadas as propostas de cinco Universidades p\u00fablicas (UFRGS, UFRJ, UFMG, UFPE e UNICAMP), em um universo de um pouco mais de duas dezenas de projetos submetidos, para constituir, a partir de 1984, os Centros Pilotos de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1989, o EDUCOM foi substitu\u00eddo por outra pol\u00edtica mais institucional denominada \u201cPrograma Nacional de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o\u201d-PRONINFE (<a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/materia\/-\/asset_publisher\/Kujrw0TZC2Mb\/content\/id\/21291240\/do1-2016-08-30-portaria-n-549-de-29-de-agosto-de-2016-21291158\">PORTARIA N\u00ba 549, DE 13\/10\/89<\/a>), tendo como principal miss\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos por meio da cria\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura de pesquisa, de desenvolvimento e de treinamento em cada Estado da Federa\u00e7\u00e3o, sendo que esta infraestrutura deveria ser diferenciada, seja pelo papel a ser exercido (p.ex.: ser um Centro de Excel\u00eancia), seja pelo setor de ensino (p.ex.: proped\u00eautico ou t\u00e9cnico).<\/p>\n<p>O PRONINFE existiu por quase oito anos praticamente sem sair do papel, com alguns poucos investimentos realizados e resultados alcan\u00e7ados, at\u00e9 que no rastro da promulga\u00e7\u00e3o da Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o \u2013 LDB (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9394.htm\">Lei no 9.394\/96<\/a>) foram criados no MEC, quase que numa penada s\u00f3 (intervalo de 2 anos), a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia- SEED (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1996\/D1917.htm\">Decreto no 1.917, de 27 de maio de 1996<\/a>) e, sob gest\u00e3o desta Secretaria, o Programa de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o &#8211; ProInfo (<a href=\"http:\/\/www.dominiopublico.gov.br\/pesquisa\/DetalheObraForm.do?select_action=&#038;co_obra=22148\">Portaria N\u00ba 522, de 9 de abril de 1997<\/a>)<\/p>\n<figure>\nFigura 4 &#8211; Capa do documento referencial do Proninfe<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Proninfe-1989-cover-209x300.jpg\" alt=\"PRONINFE\" width=\"209\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1547\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Proninfe-1989-cover-209x300.jpg 209w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Proninfe-1989-cover-768x1101.jpg 768w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Proninfe-1989-cover-714x1024.jpg 714w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Proninfe-1989-cover.jpg 1116w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><figcaption>Fonte: <a href=\"http:\/\/pesquisa-educao-a-distancia.blogspot.com\/2011\/10\/tic-na-educacao-um-pouco-da-historia-em.html\">http:\/\/pesquisa-educao-a-distancia.blogspot.com\/2011\/10\/tic-na-educacao-um-pouco-da-historia-em.html<\/a><br \/>\nImagem: \u00a9 2011 Pedro Andrade<\/figcaption><\/figure>\n<p>A proposta do ProInfo \u00e9 muito semelhante a do seu antecessor (PRONINFE) em termos gerais, mas diferenciando-se entre si nos seguintes aspectos mais espec\u00edficos: (i) projetos estaduais de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o com autonomia, isto \u00e9, parceria MEC\/SEED &amp; CONSED sem a exig\u00eancia de parceria com institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias; (ii) infraestrutura mais ampliada e voltada primordialmente para o ensino fundamental e m\u00e9dio; e (iii) efetiva informatiza\u00e7\u00e3o das escolas que tivessem um maior n\u00famero de alunos matriculados.<\/p>\n<p>Em 2007, o Decreto No 6.300 cria o Programa Nacional de Tecnologia Educacional que praticamente procura reafirmar os objetivos e aperfei\u00e7oar (tornando-a mais integrada) a din\u00e2mica da parceria institucional Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios que j\u00e1 havia sido proposta em 1997 pela Portaria n\u00ba 522 que criou o ProInfo. Este novo programa recebe a alcunha de ProInfo Integrado.<\/p>\n<p>Em suma, no meio dessa babel de nomes e de siglas, pode-se dizer que tivemos de fato dos anos 80 para c\u00e1 no Brasil, em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas em IE apenas duas linhas de a\u00e7\u00e3o: (i) um projeto de pesquisa de natureza prospectiva e explorat\u00f3ria, portanto, sem diretrizes r\u00edgidas. (EDUCOM, 1983-1989); e (ii) um programa de Inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o com objetivos, metas e estrat\u00e9gias bem definidos (1989- ), implementados em tr\u00eas fases: (PRONINFE, 1989-1997), (ProInfo, 1997-2007) e (ProInfo Integrado, 2007- ).<\/p>\n<p>Dezenas de a\u00e7\u00f5es e subprojetos foram empreendidos ao longo do per\u00edodo (ii) referido acima, as quais est\u00e3o muito bem detalhadas nos trabalhos <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a>, <a href=\"#VALENTE1997\">[VALENTE e ALMEIDA, 1997]<\/a>, <a href=\"#BRASIL2005\">[BRASIL, 2005]<\/a> e <a href=\"#ESTEVAO2015\">[ESTEV\u00c3O e PASSOS, 2015]<\/a> comentados na se\u00e7\u00e3o 2.<\/p>\n<section class=\"quadro atividade\">\n<h5>ATIVIDADE: Refletindo sobre o tema (em grupo)<\/h5>\n<p>Usando as refer\u00eancias acima e outras que julgar importantes, fa\u00e7a suas pr\u00f3prias considera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas a respeito das premissas, execu\u00e7\u00e3o e do impacto dos principais programas governamentais (EDUCOM\/PRONINFE\/ ProInfo\/ProInfo Integrado), tomados em conjunto no per\u00edodo de tr\u00eas d\u00e9cadas (1980-2010).<\/section>\n<p>Analisando criticamente as premissas, a execu\u00e7\u00e3o e o impacto dos principais programas governamentais listados aqui (EDUCOM\/PRONINFE\/ProInfo\/ProInfo Integrado), tomados em conjunto no per\u00edodo de tr\u00eas d\u00e9cadas (1980-2010), eu diria que:<\/p>\n<p><em><strong>I &#8211; Os cinco Centros Pilotos de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o do projeto EDUCOM cumpriram o seu papel prospectivo, em que pese as frequentes mudan\u00e7as ocorridas no MEC no per\u00edodo, com as consequentes descontinuidades no financiamento.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A proposta do governo e os produtos gerados por esses centros est\u00e3o relatados em detalhes, respectivamente, em dois livros &#8220;PROJETO EDUCOM\u201d [ANDRADE e MORAES, 1993] e &#8220;PROJETO EDUCOM: realiza\u00e7\u00f5es e produtos&#8221; [ANDRADE (Org.) et al, 1993] publicados pelo MEC\/OEA. Os organizadores dessas obras e autores do primeiro volume exerciam, \u00e0 \u00e9poca, fun\u00e7\u00f5es administrativas no MEC que inclu\u00edam a responsabilidade de coordenar e gerir os cinco projetos. Enquanto que os relatos apresentados no segundo volume foram feitos pelos coordenadores docentes de cada projeto em sua respectiva IES: EDUCOM\/UFPE (Paulo Gileno Cysneiros), EDUCM\/UFMG (Antonio Mendes Ribeiro), EDUCOM\/UFRJ (Lydin\u00e9a Gasman, Riva Roitman e Marcos da Fonseca Elia) , EDUCOM\/Unicamp (Jos\u00e9 Armando Valente), EDUCOM\/UFRGS (L\u00e9a da Cruz Fagundes e Lucila Maria Costi Santarosa).<\/p>\n<p>Tendo o computador na escola como objeto de estudo, cada um dos cinco Centros Pilotos de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o desenvolveu autonomamente seus projetos, criando uma base de conhecimento e formando uma massa cr\u00edtica inicial significativa de profissionais que permanece e se multiplicou at\u00e9 hoje, por meio de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e de projetos de pesquisa.<\/p>\n<p>Apesar da autonomia dada, verifica-se no segundo livro supracitado, referente \u00e0s realiza\u00e7\u00f5es e produtos, que os cinco projetos em geral deram \u00eanfase \u00e0s pesquisas b\u00e1sicas sobre a cria\u00e7\u00e3o de uma cultura de computadores na educa\u00e7\u00e3o, o processo de informatiza\u00e7\u00e3o das escolas, a forma\u00e7\u00e3o de professores e sobre o impacto do uso de PEC (Programa de Ensino por Computador) na aprendizagem.<\/p>\n<p>Todos tamb\u00e9m trabalharam com o uso da Metodologia LOGO, embora essas pesquisas tenham sido lideradas por quase uma d\u00e9cada (meados dos anos 80 at\u00e9 meados dos anos 90) pelos projetos o EDUCOM\/UFRGS e o EDUCOM\/Unicamp. Interessante registrar tamb\u00e9m que os cinco projetos propuseram a\u00e7\u00f5es voltadas para o uso das TIC na educa\u00e7\u00e3o especial que hoje se consolidaram em tr\u00eas centros de refer\u00eancia (UFRGS, Unicamp e UFRJ).<\/p>\n<p>Nota-se tamb\u00e9m que os projetos EDUCOM\/UFPE e EDUCOM\/UFMG n\u00e3o priorizaram o desenvolvimento de produtos, optando por dar mais \u00eanfase \u00e0s pesquisas te\u00f3ricas e emp\u00edricas sobre temas diversos.<\/p>\n<p>O projeto EDUCOM\/UFRJ diferenciou-se dos demais ao optar pelo desenvolvimento em grande escala de programas para o ensino com o computador -PEC (no caso, aproximadamente 170 \u201ccourseware\u201d de quatro mat\u00e9rias de Ci\u00eancias (Biologia, F\u00edsica, Matem\u00e1tica e Qu\u00edmica) para as tr\u00eas s\u00e9ries do 2\u00ba grau, os quais foram aplicados a todos os alunos de uma escola p\u00fablica (Col\u00e9gio Estadual Souza Aguiar \u2013 CESA, RJ), como parte de um experimento-piloto tamb\u00e9m de grande escala.<\/p>\n<p>Como se pode facilmente constatar pela consulta a esses livros sobre o projeto EDUCOM, \u201cse mais n\u00e3o foi feito\u201d, como afirma <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a>, foi porque faltou continuidade nas pol\u00edticas p\u00fablicas no per\u00edodo em tela.<\/p>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>Metodologia LOGO<\/h5>\n<p>A metodologia LOGO foi criada por Seymour Papert e Wally Feurzeig em 1967, baseada no construcionismo de Papert que tem como fonte inspiradora o construtivismo da epistemologia gen\u00e9tica de Piaget.<\/p>\n<p>De uma maneira simplificada, o construcionismo de Papert sustenta que o desenvolvimento cognitivo e a decorrente constru\u00e7\u00e3o do conhecimento (ou vice-versa, n\u00e3o vamos entrar nesta discuss\u00e3o aqui e agora!) poderiam ser acelerados pela intera\u00e7\u00e3o dos aprendizes mediante o uso de artefatos tecnol\u00f3gicos, como, por exemplo, manipulando imagens em um computador.<\/p>\n<p>Na linguagem de programa\u00e7\u00e3o LOGO , uma tartaruga \u00e9 comandada pelos alunos por meio de comandos simples (p.ex.: \u201cv\u00e1 para frente 50 passos\u201d) para resolver uma dada situa\u00e7\u00e3o-problema ou objetivo (p.ex.: desenhar um quadrado na tela) seguindo sua pr\u00f3pria estrat\u00e9gia cognitiva. Como os aprendizes recebem de imediato um retorno do resultado de sua a\u00e7\u00e3o (com base na trajet\u00f3ria descrita pela tartaruga na tela), eles podem por si mesmos rever &#8211; se for o caso &#8211; sua estrat\u00e9gia, contribuindo para o seu desenvolvimento cognitivo (e\/ou aprendizagem).<\/p>\n<figure>\nFigura 5 &#8211; Comandos da Linguagem LOGO<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.annehelmond.nl\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/logo_mit.png\" alt=\"Comandos da Linguagem LOGO\" \/><br \/>\nhttps:\/\/www.annehelmond.nl\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/logo_mit.png<figcaption>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.annehelmond.nl\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/logo_mit.png\">https:\/\/www.annehelmond.nl\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/logo_mit.png<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os Anais de eventos cient\u00edficos no per\u00edodo em tela atestam o predom\u00ednio da \u201cLOGOMANIA\u201d daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Recomendamos ao leitor, que tenha interesse em conhecer mais sobre a linguagem de programa\u00e7\u00e3o e sobre a metodologia LOGO, que procure na Internet \u201cProgramas LOGO para Web\u201d, como tamb\u00e9m v\u00eddeos sobre Papert e LOGO.<\/section>\n<p><!-- PENDENTE: COMO DAR DESTAQUE? --><\/p>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>Courseware<\/h5>\n<figure>\n<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1dhBEIfB93gQa2LdKuDxd0TuQ_PO6-gsI\/view\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/educom.jpg\" alt=\"\" width=\"870\" height=\"491\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1719\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/educom.jpg 870w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/educom-300x169.jpg 300w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/educom-768x433.jpg 768w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/educom-848x480.jpg 848w\" sizes=\"auto, (max-width: 870px) 100vw, 870px\" \/><\/a><figcaption>V\u00eddeo sobre o Projeto EDUCOM: <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1dhBEIfB93gQa2LdKuDxd0TuQ_PO6-gsI\/view\">https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1dhBEIfB93gQa2LdKuDxd0TuQ_PO6-gsI\/view<\/a><\/legend>\n<\/figure>\n<p>\u2018Courseware\u2019 s\u00e3o programas para ensino com computador (PEC) inseridos em uma proposta curricular. Os 170 programas do EDUCOM\/UFRJ foram desenvolvidos usando as linguagens PROLOG e BASIC, com a tecnologia de hardware MSX e deste total foram publicados <a href=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/coursewareEducomUFRJ.pdf\">111 &#8220;courseware&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p>O experimento foi aplicado ao longo de 5 anos com o objetivo maior de conhecer melhor o objeto de estudo (Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o) em condi\u00e7\u00f5es naturais dentro de uma escola p\u00fablica em \u00e1reas de conhecimento que vinham apresentando baixo rendimento escolar.<br \/>\n<\/section>\n<p><strong><em>II &#8211; Foi politicamente correta e, talvez, at\u00e9 um pouco tardia, a substitui\u00e7\u00e3o do projeto piloto por um programa nacional, com diretrizes, metas e objetivos bem definidos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>No final dos anos 80, a inform\u00e1tica educativa j\u00e1 despertava um interesse significativo nos meios acad\u00eamicos a tal ponto que o MEC n\u00e3o podia mais continuar financiando apenas os cinco projetos (EDUCOM) oficialmente reconhecidos. De fato, na pr\u00e1tica j\u00e1 havia o financiamento de \u201cin\u00fameros projetos de balc\u00e3o\u201d, o que, como se sabe, deve ser, quando muito, uma exce\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel e jamais uma regra. Assim, a instaura\u00e7\u00e3o do PRONINFE gerou uma expectativa muito positiva no meio acad\u00eamico quando propunha criar infraestrutura, fomentar um processo sistematizado de financiamento de pesquisas e de capacita\u00e7\u00e3o de professores e, sobretudo, executar esse programa com transpar\u00eancia atrav\u00e9s de um Comit\u00ea Assessor de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o (CAIE), a ser formado por representantes indicados pela comunidade acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Infelizmente os fatos acontecidos n\u00e3o seguiram bem o roteiro preconizado, mas o mais importante a destacar no contexto da presente discuss\u00e3o \u00e9 que esse programa foi um desdobramento natural da fase anterior e, de uma maneira geral, contribuiu para uma continuidade e n\u00e3o para uma ruptura. Mesmo sem financiamento, os grupos existentes (EDUCOM) nas Universidades continuaram seu trabalho e outros foram surgindo, alguns inclusive institucionalizando-se fisicamente como n\u00facleos na estrutura universit\u00e1ria (p.ex.: NIED\/Unicamp) e outros apenas como coordena\u00e7\u00f5es (p.ex.: CIES-EDUCOM\/UFRJ), sempre com o objetivo de continuar as pesquisas e formar recursos humanos atrav\u00e9s da oferta de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, inicialmente lato sensu e, posteriormente, stricto sensu. Foram criados tamb\u00e9m os CIED- Centros de Inform\u00e1tica Educativa em v\u00e1rios Estados, conforme previsto pelo PRONINFE.<\/p>\n<p>Concordando novamente com <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a>, pode-se afirmar que o PRONINFE foi um programa politicamente correto, mas que pouco realizou porque n\u00e3o houve vontade pol\u00edtica das autoridades dos governos sucessores imediatos em dar continuidade.<\/p>\n<p><em><strong>III &#8211; O ProInfo (1997) veio atender a uma demanda reprimida, mas algumas de suas premissas e a forma de implementa\u00e7\u00e3o foram equivocadas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Como j\u00e1 mencionei, o PRONINFE e ProInfo s\u00e3o programas muito parecidos, inclusive nos pr\u00f3prios nomes, ent\u00e3o por que deixaram o PRONINFE morrer ao longo de sete anos (1989-1995) por inani\u00e7\u00e3o financeira para s\u00f3 ent\u00e3o propor um programa \u201cmais do mesmo\u201d em 1997 (o ProInfo)? Como justificar uma descontinuidade t\u00e3o severa em um processo de substitui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas governamentais?<br \/>\nA explica\u00e7\u00e3o que ofere\u00e7o para responder esta quest\u00e3o, fazendo uma leitura conjunta dos acontecimentos da \u00e9poca, pode ser interpretada por alguns como tendo um vi\u00e9s conspirat\u00f3rio, mas \u00e9 como vejo. Segue a minha narrativa.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 destaquei, a origem e a g\u00eanese da IE no Brasil vinham alcan\u00e7ando at\u00e9 ent\u00e3o um resultado exitoso \u2013 n\u00e3o em sala de aula, mas como P&amp;D e forma\u00e7\u00e3o de RH -, muito em fun\u00e7\u00e3o de uma parceria bem-sucedida governo-academia, fomentada desde o seu in\u00edcio pela pol\u00edtica nacional de inform\u00e1tica (Lei de Reserva da Inform\u00e1tica) quando o computador ainda era um objeto desconhecido e desinteressante.<\/p>\n<p>E, como tamb\u00e9m foi resgatado aqui, por ter se tornado com o passar dos anos uma tecnologia mais perform\u00e1tica e comercialmente mais atraente, houve no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90 um aumento significativo da press\u00e3o de demanda pelo uso do computador nas escolas, como tamb\u00e9m pelo uso da EAD baseada no uso das TIC em decorr\u00eancia da explos\u00e3o comercial da internet, isto j\u00e1 alguns anos depois, nos meados daquela d\u00e9cada.<\/p>\n<p>No entanto, ao longo daquele quinqu\u00eanio (1990-95) n\u00e3o havia de fato suficiente oferta de equipamentos e de \u2018know how\u2019 para atender as demandas e, certamente, tais circunst\u00e2ncias foram determinantes para que a toque de caixa, tanto a lei de reserva da inform\u00e1tica fosse ent\u00e3o revogada (Lei Federal n\u00ba 8.248\/91), quanto a modalidade de EAD fosse pela primeira vez autorizada por for\u00e7a de lei nas institui\u00e7\u00f5es de ensino do Brasil (Artigo 80 da Lei n\u00ba 9.394 de 20 de Dezembro de 1996) e que, concomitantemente, fosse criada a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (MEC\/SEED) com status de Secretaria Ministerial.<\/p>\n<p>Obviamente, essa sequ\u00eancia de decis\u00f5es abriu as portas do uso das TIC para o mundo dos neg\u00f3cios em diversos setores da sociedade brasileira, incluindo o da educa\u00e7\u00e3o. E assim a parceria governo-academia, depois de ter sido deixada \u00e0 m\u00edngua por sete anos, foi desfeita atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o do ProInfo (1997) para dar lugar a um novo tipo de parceria que, de um lado, tinha a Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios como provedores e gestores e, de outro, as empresas e as universidades como fornecedoras de produtos e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Curiosamente, a partir justamente daquele momento em que as institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias de pesquisa perderam seu papel institucional de participar consultivamente das inst\u00e2ncias decis\u00f3rias, iniciou-se um ciclo virtuoso de investimentos que, como era de se esperar, resultou em importantes avan\u00e7os da IE em termos de infraestrutura, conforme demonstra o relat\u00f3rio de pesquisa <a href=\"#MOURA2002\">[MOURA, 2002]<\/a>.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostrados neste relat\u00f3rio realmente impressionam, por\u00e9m: uma decis\u00e3o de comprar milhares de computadores para informatizar as escolas pode parecer, \u00e0 primeira vista, uma decis\u00e3o que favorece a democratiza\u00e7\u00e3o do uso da inform\u00e1tica, mas h\u00e1 relatos de experi\u00eancias e de opini\u00f5es fundamentadas vindos da academia que divergem a esse respeito, os quais, no m\u00ednimo, teriam que ser ouvidos, estudados e levados a s\u00e9rio a \u00e9poca. Talvez, exatamente por isso, tenham sido deixados de fora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, conforme <a href=\"#ESTEVAO2015\">[ESTEV\u00c3O e PASSOS, 2015]<\/a> assinalaram (vide Se\u00e7\u00e3o 2), a sustentabilidade da infraestrutura criada com esses investimentos (NTE, Laborat\u00f3rios de Inform\u00e1tica, etc.) ficou comprometida em fun\u00e7\u00e3o das falhas na engenharia institucional engendrada para mediar a din\u00e2mica de fomento por parte da Uni\u00e3o e de execu\u00e7\u00e3o-gest\u00e3o por parte dos Estados e Munic\u00edpios que aderiram espontaneamente ao ProInfo -1997.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 ainda evid\u00eancias de que estes vultosos investimentos em IE tenham alcan\u00e7ados as t\u00e3o almejadas metas de mudan\u00e7as na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica nas escolas, perseguidas pelas pol\u00edticas de inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>Custo-benef\u00edcio da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p>Afinal, qual \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o para o baixo custo-benef\u00edcio pedag\u00f3gico nas salas de aula dos vultosos investimentos efetuados em IE nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas? Pol\u00edticas equivocadas, m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o dos professores, m\u00e1-gest\u00e3o dos recursos, n\u00e3o inclus\u00e3o institucional das universidades nas inst\u00e2ncias decis\u00f3rias, ou &#8230;.?<br \/>\n<\/section>\n<p>A meu ver, sem discordar dos trabalhos relacionados comentados na se\u00e7\u00e3o 2, isso se deveu, sobretudo, \u00e0 aus\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias como parceiras nas ra\u00edzes dos projetos. Sem poder contar com a experi\u00eancia em atividades de P&amp;D dessas institui\u00e7\u00f5es, ficou praticamente imposs\u00edvel para os NTE e CETE absorverem e retransmitirem as TIC para a sua popula\u00e7\u00e3o-alvo (professores na sala de aula, professores multiplicadores, dentre outros), a uma taxa compat\u00edvel com a evolu\u00e7\u00e3o das mesmas, como tamb\u00e9m, para adequarem essas tecnologias em termos de forma, conte\u00fado e linguagem \u00e0s necessidades mais espec\u00edficas da escola, das disciplinas, dos professores e dos alunos.<\/p>\n<p><em><strong>IV &#8211; Alinhamento total das pol\u00edticas p\u00fablicas governamentais em inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o e em Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia com os interesses do mercado<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia no MEC com status de \u201cSecretaria Ministerial\u201d demonstra claramente a inten\u00e7\u00e3o do governo da \u00e9poca (1996, FHC) em estimular o crescimento da modalidade de EAD no pa\u00eds, como de fato vem acontecendo at\u00e9 hoje, tendo em vista a funda\u00e7\u00e3o do Sistema de Educa\u00e7\u00e3o Superior a Dist\u00e2ncia no Brasil, inspirado no modelo de cons\u00f3rcios (CEDERJ, UniRede).<\/p>\n<p>Importante notar tamb\u00e9m que um ano antes (1995) j\u00e1 havia sido criada a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia \u2013 ABED, reunindo pessoas e grupos empresariais com interesses no desenvolvimento da EAD nos moldes da Educa\u00e7\u00e3o Superior a Dist\u00e2ncia. Desde ent\u00e3o esta associa\u00e7\u00e3o vem apresentando um ativismo, tanto acad\u00eamico, atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o de confer\u00eancias, workshops, produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e did\u00e1tica, quanto pol\u00edtico atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o em diversas comiss\u00f5es governamentais (MEC, CAPES, etc.) que tratam da EAD.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que o modelo de Educa\u00e7\u00e3o Superior a Dist\u00e2ncia encontra-se hoje consolidado pelo Decreto No 5.800 de 8 de junho de 2006 que criou a Universidade Aberta do Brasil- UAB, visando \u201co desenvolvimento da modalidade de educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educa\u00e7\u00e3o superior no Pa\u00eds\u201d, sendo atualmente gerenciada pela CAPES.<\/p>\n<p>Se no quinqu\u00eanio 1996-2000 houve &#8211; conforme venho sustentando aqui- uma guinada das pol\u00edticas p\u00fablicas governamentais em IE e EAD desfavorecendo a parceria governo-academia, o fato \u00e9 que mais ou menos no quinqu\u00eanio seguinte (2001-2005), j\u00e1 sob o governo Lula, esta tend\u00eancia continuou refletindo uma sucumb\u00eancia total aos ditames do mercado.<\/p>\n<p>Uma primeira clara manifesta\u00e7\u00e3o deste alinhamento foi a toler\u00e2ncia com o desvio de finalidade do \u201cFundo de Universaliza\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Telecomunica\u00e7\u00f5es\u201d \u2013FUST (Lei Federal n\u00ba 9.998, de 17 de agosto de 2000), que tem como fun\u00e7\u00e3o original:<\/p>\n<p class=\"blockquote\">\u201c[&#8230;]a dissemina\u00e7\u00e3o de recursos de telecomunica\u00e7\u00f5es e inform\u00e1tica nas escolas p\u00fablicas federais, estaduais e municipais, com o objetivo de promover o desenvolvimento e o enriquecimento pedag\u00f3gico.\u201d<\/p>\n<p>Ora, qual tem sido a leitura conveniente dessa finalidade at\u00e9 hoje? Conforme os jornais noticiaram e qualquer um pode constatar no dia a dia: esses recursos (note-se que s\u00e3o milh\u00f5es recolhidos anualmente!) t\u00eam sido usados apenas para subsidiar projetos de IE propostos monocraticamente pelas pr\u00f3prias empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pode negar que alguns bons projetos t\u00eam sido produzidos, mas de qualquer forma n\u00e3o foi isso que o legislador representante do povo almejou ao criar a lei, conforme excerto destacado acima.<\/p>\n<p>Uma segunda evid\u00eancia desse alinhamento tem sido o uso da EAD em grande escala nos moldes j\u00e1 citado da Educa\u00e7\u00e3o Superior a Dist\u00e2ncia (leia-se UAB), a pretexto do lado governamental de viabilizar uma pol\u00edtica p\u00fablica de expans\u00e3o do ensino superior. A press\u00e3o dos empres\u00e1rios para atingir esse objetivo foi t\u00e3o grande que conseguiram aprovar uma regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para o uso da EAD\/TIC (modalidade que j\u00e1 havia sido autorizada pelo artigo 80 da LDB -Lei no 9.394\/96) em todos os n\u00edveis educacionais, inclusive, no n\u00edvel fundamental, embora neste n\u00edvel apenas para casos excepcionais (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2004-2006\/2005\/Decreto\/D5622.htm\">Decreto N\u00ba 5.622, de 19 de dezembro de 2005<\/a>).<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o deste decreto representa uma verdadeira fa\u00e7anha pol\u00edtica no ordenamento jur\u00eddico da legisla\u00e7\u00e3o educacional do pa\u00eds, que sempre se pautou por leis espec\u00edficas para os n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para as modalidades de educa\u00e7\u00e3o <a href=\"#ELIA2005\">[ELIA, 2005]<\/a>.<\/p>\n<p>Contudo, este decreto n\u00e3o foi t\u00e3o original assim neste particular (quebra de um paradigma legal), pois como j\u00e1 assinalei esses mesmos interesses empresariais j\u00e1 tinham conseguido criar uma Secretaria no \u00e2mbito do MEC especialmente voltada para tratar da modalidade de educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia em todos os n\u00edveis: a MEC\/SEED (1997). Felizmente esta j\u00e1 foi extinta pelo Decreto 7.480, de 16 de maio de 2011, mas o Decreto 5.622 de 2005 ainda continua em vigor.<\/p>\n<p>A Universidade Aberta do Brasil \u2013 UAB basicamente oferece cursos sobre alguma \u00e1rea do conhecimento ministrados a dist\u00e2ncia, predominando, as \u00e1reas de licenciatura. Trata-se, portanto, de um modelo de educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia utilitarista e, tamb\u00e9m, reducionista porque n\u00e3o valoriza o que de melhor a EAD\/TIC pode trazer, qual seja, a apropria\u00e7\u00e3o livre dos recursos da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o para buscar outros interesses, vis\u00f5es de mundo, pessoas, enfim, fomentar uma nova cultura como j\u00e1 vem ocorrendo \u201cespontaneamente\u201d na sociedade atrav\u00e9s das redes sociais onde os usu\u00e1rios s\u00e3o colocados no centro do processo para, literalmente a cada momento, criarem solu\u00e7\u00f5es na nova espacialidade e temporalidade do fluxo de informa\u00e7\u00f5es multidirecionais que enfrentam a cada momento (Cibercultura).<\/p>\n<p>Pesquisadores em IE indicados pelo Comit\u00ea Especial de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o &#8211; CEIE\/SBC participaram em 2004 de um Grupo de Trabalho sobre EAD\/TIC criado no \u00e2mbito da SESU\/MEC, tendo apresentado em seu relat\u00f3rio final <a href=\"#BRASIL2005\">[BRASIL, 2005]<\/a> restri\u00e7\u00f5es severas a esse modelo expansionista e, tendo tomado conhecimento do teor do projeto de decreto regulat\u00f3rio (N\u00ba 5.622) que, naquela \u00e9poca, j\u00e1 vinha sendo engendrado na Casa Civil da Presid\u00eancia, manifestou preocupa\u00e7\u00f5es a respeito do mesmo, que foram referendadas em um evento nacional organizado pelo pr\u00f3prio grupo com apoio da SESU\/MEC em Porto Alegre NA PUC-RS (2005).<\/p>\n<p>Estudo recente encomendado pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o- MEC aponta o crescimento de cursos a dist\u00e2ncia (em termos de IES e de matr\u00edculas) em detrimento dos cursos presenciais administrados pelo setor privado (IES privadas), quando comparado com aqueles administrados pelo setor p\u00fablico (IES p\u00fablicas). E o que \u00e9 pior ainda, aponta tamb\u00e9m para uma administra\u00e7\u00e3o privada desses cursos nas m\u00e3os de grupos internacionais <a href=\"BRASIL2014\">[BRASIL, 2014]<\/a>, colocando em s\u00e9rio risco a educa\u00e7\u00e3o e o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n<p><em><strong>V &#8211; A partir do governo Lula-2 houve uma nova inflex\u00e3o no direcionamento das pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas ao uso da IE, voltando a favorecer parcerias com a comunidade acad\u00eamica.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Diversas a\u00e7\u00f5es e projetos de iniciativa governamental em IE tendo os professores pesquisadores das universidades como parceiros, e n\u00e3o como meros prestadores de servi\u00e7o, foram deflagrados a partir de 2006 por meio de chamadas em forma de editais. Destacamos aqui como bons exemplos:<\/p>\n<ol>\n<li>A parceria internacional \u201cRede Interativa Virtual de Educa\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 RIVED, na fase denominada \u201cF\u00e1brica Virtual\u201d, voltada para a produ\u00e7\u00e3o e a disponibiliza\u00e7\u00e3o compartilhada de objetos de aprendizagem (OA) em um reposit\u00f3rio online, inclusive, por meio da promo\u00e7\u00e3o de concursos para premiar os melhores OA.<\/li>\n<li>O \u201cPrograma Um Computador por Aluno- PROUCA \u2013 voltado para o ensino fundamental objetivando \u201ca implanta\u00e7\u00e3o do uso de laptops, na situa\u00e7\u00e3o um para um\u201d (<a href=\"resultado.cnpq.br\/5415026289677057\">Edital CNPq\/CAPES\/SEED-MEC n\u00ba 76\/2010<\/a>).<\/li>\n<li>Programas de P&amp;D Tem\u00e1ticos da Rede Nacional de Pesquisa &#8211; RNP (Edital 2014-2015) para selecionar projetos que promovam o uso inovador da rede atrav\u00e9s de aplica\u00e7\u00f5es que potencializem a colabora\u00e7\u00e3o remota para educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia e telessa\u00fade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ainda \u00e9 cedo para ser feita uma avalia\u00e7\u00e3o dos resultados dessa \u00faltima fase, mas esperamos que esta tend\u00eancia, que significa uma ratifica\u00e7\u00e3o das diretrizes iniciais do programa de inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o brasileiro propostas h\u00e1 40 anos, se consolide como pol\u00edtica p\u00fablica de estado, pois um pa\u00eds n\u00e3o pode prescindir de suas universidades em uma sociedade do conhecimento.<\/p>\n<p><em><strong>VI &#8211; A\u00e7\u00f5es do Estado e dos governos sobre o uso das TIC na educa\u00e7\u00e3o especial.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Esta se\u00e7\u00e3o, que trata de uma an\u00e1lise cr\u00edtica do impacto das pol\u00edticas p\u00fablicas no desenvolvimento da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estaria conclu\u00edda sem que sejam discutidas as a\u00e7\u00f5es do Estado e de governos sobre o uso das TIC na educa\u00e7\u00e3o especial, ou seja, \u201cna educa\u00e7\u00e3o de um educando com necessidades educacionais especiais\u201d (Resolu\u00e7\u00e3o N\u00ba 2, de 11 de setembro de 2001).<\/p>\n<p>Como foi visto at\u00e9 aqui como regra geral, o uso das TIC no cotidiano escolar requereu nos seus prim\u00f3rdios a indu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es governamentais. Entretanto, quando falamos do uso das TIC na educa\u00e7\u00e3o especial, o que se observa \u00e9 que houve uma rela\u00e7\u00e3o inversa: o aprimoramento nas \u00faltimas d\u00e9cadas destas pol\u00edticas p\u00fablicas e da legisla\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria correspondente \u00e9 que foi provocado pelo surgimento e uso de solu\u00e7\u00f5es TIC em termos de \u201chardware\u201d e de \u201csoftware\u201d.<\/p>\n<p>Quer dizer, as TIC surgiram como tecnologias naturais de inclus\u00e3o social de um deficiente f\u00edsico, independentemente da natureza e da gravidade de sua les\u00e3o, fazendo com que a todo o momento surjam, concomitantemente com a sua evolu\u00e7\u00e3o, solu\u00e7\u00f5es e pr\u00f3teses na forma de dispositivos e aplicativos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Esta peculiaridade das TIC tem sido fundamental, por exemplo, para que a Declara\u00e7\u00e3o de Salamanca <a href=\"#ESPANHA1994\">[ESPANHA, 1994, apud BRASIL]<\/a> n\u00e3o se tornasse letra morta no Brasil e, certamente, em outros pa\u00edses tamb\u00e9m. Assim, pode ser afirmado que as diversas leis, decretos e resolu\u00e7\u00f5es promulgadas nos \u00faltimos 20 anos, que t\u00eam sido fundamentais para melhorar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o especial com o uso de TIC no Brasil, t\u00eam sido marcos regulat\u00f3rios (e n\u00e3o indutores!) de Diretrizes Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Especial.<\/p>\n<p>Contudo, h\u00e1 ainda uma grande lacuna a ser preenchida nas pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o uso das TIC na educa\u00e7\u00e3o especial. Destaco como exemplo aquelas apontadas pelo subgrupo tem\u00e1tico que discutiu e preparou o Relat\u00f3rio do GTEADES\/SESu\/\/MEC <a href=\"#BRASIL2005\">[BRASIL, 2005]<\/a> sobre este tema.<\/p>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>N\u00facleo de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o Especial | Intervox\/NCE\/UFRJ<\/h5>\n<p>Na Figura 6 (a) e (b) s\u00e3o identificados dois desses grupos de pesquisa que atuam h\u00e1 anos no uso das TIC na educa\u00e7\u00e3o especial, criados e ainda hoje coordenados pelos seus mentores: professores doutores Lucila Maria Costi Santarosa e Jos\u00e9 Antonio dos Santos Borges, respectivamente na UFRGS e UFRJ.<\/p>\n<figure>\nFigura 6a: N\u00facleo de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o Especial da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NIEE\/UFRGS)<br \/>\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/HIEB_fig9a.png\"><figcaption style=\"text-align: center;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/niee\/\">http:\/\/www.ufrgs.br\/niee\/<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>(a) O servidor NIEE\/UFRGS do N\u00facleo de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o Especial com foco no desenvolvimento de tecnologias e na forma\u00e7\u00e3o de professores para inclus\u00e3o sociodigital e escolar de pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<figure>\nFigura 6b: N\u00facleo de Computa\u00e7\u00e3o Eletr\u00f4nica da Universidade Federal do Rio de Janeiro  (NCE\/UFRJ)<br \/>\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/HIEB_fig9b.png\"><figcaption>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.novoser.org.br\/projeto_motrix.html\">http:\/\/www.novoser.org.br\/projeto_motrix.html<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>(b) O servidor Intervox\/NCE\/UFRJ abriga, h\u00e1 mais de 30 anos, projetos voltados para proporcionar a pessoas com defici\u00eancia novas oportunidades com base na tecnologia de inform\u00e1tica, al\u00e9m de projetos de grande notoriedade apoiados por institui\u00e7\u00f5es parceiras.<br \/>\n<\/section>\n<h5>3.3.2 A Academia<\/h5>\n<p>Os professores pesquisadores da academia brasileira, com forma\u00e7\u00e3o nas mais diferentes \u00e1reas do conhecimento, sempre deram uma pronta resposta \u00e0s demandas sobre o uso do computador na Educa\u00e7\u00e3o. Muitos desses pesquisadores acabaram se aglutinando para constituir uma nova \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o interdisciplinar de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Seguem algumas das principais a\u00e7\u00f5es que v\u00eam sendo desenvolvidas por esse grupo interdisciplinar de pesquisadores com interesses em IE:<\/p>\n<ol type=\"i\">\n<li>Participa\u00e7\u00e3o em in\u00fameros projetos, sejam aqueles de sua pr\u00f3pria lavra ou de iniciativa governamental, como os que foram descritos na se\u00e7\u00e3o 3.3.1;<\/li>\n<li>Organiza\u00e7\u00e3o de Semin\u00e1rios, Simp\u00f3sios e Congressos regionais, nacionais e internacionais;<\/li>\n<li>Cria\u00e7\u00e3o de in\u00fameros programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato sensu e stricto sensu;<\/li>\n<li>Publica\u00e7\u00e3o de um peri\u00f3dico tri-anual\n<p>: Revista Brasileira de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o-RBIE;<\/li>\n<li>Instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Especial de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o dentro da Sociedade Brasileira de Computa\u00e7\u00e3o (CEIE\/SBC), com direito a voz, voto e espa\u00e7o para a realiza\u00e7\u00e3o de eventos de IE dentro do Congresso Anual da Sociedade Brasileira de Computa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Hoje, centenas de membros (professores de 1\u00ba e 2\u00ba graus e pesquisadores) est\u00e3o aninhados dentro da \u00e1rea de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o como uma comunidade em IE voltada para pr\u00e1ticas nas escolas, P&amp;D e forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, organizando anualmente dois eventos nacionais: o Workshop de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o\u2013 WIE e o Simp\u00f3sio Brasileiro de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o-SBIE, respectivamente mais voltado para um p\u00fablico-alvo formado por professores de sala de aula e por pesquisadores.<\/p>\n<p>De uns anos para c\u00e1, esses dois principais eventos nacionais organizados pelo CEIE\/SBC passaram a ser realizados concomitantemente durante o Congresso Brasileiro de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o &#8211; CBIE. No ano de 2017 foi realizado o 6\u00ba CBIE na UFPE tendo como tema \u201cAprendizagem das Coisas\u201d abrigando o 28\u00ba SBIE e o 23\u00ba WIE, al\u00e9m de outros eventos paralelos.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise dos temas do WIE, SBIE, eventos paralelos e da revista RBIE ajuda a compreender o grau de engajamento ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas dessa comunidade, por um lado, com a indica\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias da \u00e1rea de IE e, por outro, com o equacionamento das dificuldades enfrentadas para o seu efetivo desenvolvimento nas escolas das diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds. Mais recentemente outros eventos t\u00eam surgido fora do CBIE para atender um n\u00famero maior e mais diversificado de temas de interesse <a href=\"#POUSADA2016\">[POUSADA, BUCHDID, BARANAUSKAS, 2016]<\/a>.<\/p>\n<p>Importante assinalar que, al\u00e9m desse grupo interdisciplinar de IE que se formou junto \u00e0 SBC, outros grupos disciplinares com interesses em \u201cinform\u00e1tica no ensino de&#8230;(p.ex.: &#8230; f\u00edsica, hist\u00f3ria, l\u00ednguas, etc.)\u201d tamb\u00e9m se formaram dentro das respectivas sociedades cient\u00edficas, o que tamb\u00e9m pode ser facilmente constatado pelas in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es nos principais eventos e revistas cient\u00edficas dessas sociedades. Um movimento importante de aproxima\u00e7\u00e3o deveria partir da comunidade interdisciplinar IE\/SBC com o objetivo de promover um maior interc\u00e2mbio com essas \u00e1reas disciplinares.<\/p>\n<section class=\"quadro atividade\">\n<h5>ATIVIDADE: Integrando a IE\/SBC com as demais \u00e1reas do conhecimento (em grupo)<\/h5>\n<p>D\u00ea sugest\u00f5es sobre a melhor maneira de promovermos a integra\u00e7\u00e3o entre a \u00e1rea interdisciplinar de IE\/SBC com os demais grupos disciplinares que tamb\u00e9m t\u00eam manifestado interesses acad\u00eamicos de P&amp;D em IE.<\/section>\n<p>Ali\u00e1s, uma quest\u00e3o ainda muito mal resolvida dentro da \u00e1rea acad\u00eamica \u00e9 justamente o car\u00e1ter inter- ou trans- disciplinar do conhecimento, sendo que isto se reflete mais fortemente no momento em que se procura avaliar a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e cultural de uma \u00e1rea ou de um professor-pesquisador. Em realidade, esse \u00e9 um problema que transcende as \u00e1reas simplesmente porque ele reside exatamente na cultura resiliente ainda n\u00e3o superada de fragmentar o conhecimento em partes disciplinares estanques, que n\u00e3o conseguem acomodar um pensar, um di\u00e1logo e um fazer transdisciplinar que priorizem as inter-rela\u00e7\u00f5es, como requer os dias de hoje de bases globalizadas que foram aqui discutidas na se\u00e7\u00e3o 3.1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa quest\u00e3o referente ao seu car\u00e1ter transdisciplinar, outra quest\u00e3o em aberto, porque ainda n\u00e3o logrou resultados tang\u00edveis no \u00e2mbito da \u00e1rea de IE\/SBC, \u00e9 a \u00e9tica na inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o. Causa um certo constrangimento que, depois de tantos anos de atua\u00e7\u00e3o, praticamente quase nenhuma a\u00e7\u00e3o ou rea\u00e7\u00e3o tenha ocorrida por parte da comunidade no sentido de provocar um debate sobre este assunto, por exemplo, propondo a cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o de \u00c9tica e de um C\u00f3digo de \u00c9tica para regula\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o da observ\u00e2ncia \u00e9tica dos objetivos a serem perseguidos e da hermen\u00eautica a ser utilizada em projetos de pesquisa, n\u00e3o s\u00f3 de IE mas da Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o em geral, envolvendo os diferentes tipos de sujeitos que s\u00e3o frequentemente utilizados (alunos, professores, pais de alunos, etc.).<\/p>\n<h5>3.3.3 As empresas<\/h5>\n<p>Desde que foi sancionada a (<a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/lei\/1980-1987\/lei-7234-29-outubro-1984-356175-publicacaooriginal-1-pl.html\">Lei no. 7234 de 1984<\/a>) que instituiu a reserva de mercada para a inform\u00e1tica, muitas empresas brasileiras, multinacionais e de empreendimento conjunto (\u201cjoint ventures\u201d) de tecnologia de inform\u00e1tica apareceram e desapareceram no mercado, deixando marcadas sua contribui\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento do setor de inform\u00e1tica no nosso pa\u00eds. Todas com seus produtos e servi\u00e7os v\u00eam contribuindo sobremaneira de forma indireta para o desenvolvimento da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o, mas dentre essas, de maneira mais direta e cont\u00ednua ao longo de todos esses anos, podemos destacar a IBM, Borroughs\/Unysis e a Microsoft, seja por meio de projetos, seja pela organiza\u00e7\u00e3o de (ou apoio a) eventos espec\u00edficos. Como j\u00e1 foi mencionado na se\u00e7\u00e3o 3.3.1, desde a cria\u00e7\u00e3o do FUST as empresas de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m v\u00eam atuando com projetos espec\u00edficos de IE nas escolas.<\/p>\n<p>Uma pesquisa feita na Internet com um navegador de busca mostra que este quadro permanece quando se consideram as grandes empresas do mercado de TI no Brasil de hoje (Apple, Google, Microsoft, IBM, etc.), com uma ligeira tend\u00eancia voltada para as contribui\u00e7\u00f5es indiretas pelo uso educacional dos seus produtos. Bons exemplos dessa linha de contribui\u00e7\u00e3o seriam: (i) os recursos ou ferramentas de busca de informa\u00e7\u00e3o na internet (Google) e, mais recentemente, o sistema Watson (IBM) usando tecnologias de intelig\u00eancia artificial; (ii) os \u201cData Centers\u201d de armazenamento de informa\u00e7\u00f5es nas nuvens (Apple, Google); (iii) os software de autoria de jogos educacionais (\u201cgamifica\u00e7\u00e3o\u201d) usando tecnologias 3D com conceitos de realidade virtual\/aumentada.<\/p>\n<p>Estas contribui\u00e7\u00f5es indiretas s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis mediante parceria da academia com as empresas: aquela fornece a mat\u00e9ria-prima: os novos conhecimentos e os recursos humanos, enquanto estas viabilizam em tempo h\u00e1bil, mediante a inje\u00e7\u00e3o de recursos e de pesquisas aplicadas, as ideias germinadas em teses e disserta\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, gerando produtos e servi\u00e7os usando como m\u00e3o de obra os recursos humanos qualificados.<\/p>\n<h5>3.3.4 As Escolas, Pais &amp; Respons\u00e1veis pelos Alunos e a Comunidade Vicinal<\/h5>\n<p>Deixei para falar por \u00faltimo dos protagonistas mais importantes do processo de desenvolvimento da IE nas escolas, quais sejam: as pr\u00f3prias escolas (alunos, professores e administradores), os pais &amp; respons\u00e1veis e a sua comunidade vicinal. E obviamente isto n\u00e3o \u00e9 uma especificidade da \u00e1rea de IE, mas sim uma consequ\u00eancia natural do que uma escola significa no tecido de uma sociedade e das fam\u00edlias. Se n\u00e3o houver organicidade nas intera\u00e7\u00f5es entre todos esses sujeitos, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 propriamente uma escola, mas apenas um arremedo de escola, ou uma escola do faz de conta. E ao que parece, isto tem ficado no esquecimento para os tomadores de decis\u00e3o brasileiros sobre os caminhos da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 60, como parte da pol\u00edtica expansionista de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis (necess\u00e1ria, mas desastrosa at\u00e9 hoje!), a escola brasileira em geral vem perdendo esta caracter\u00edstica org\u00e2nica fundamental, porque se partiu da premissa equivocada de que para atender uma demanda cada vez maior (de alunos, de conhecimento, etc.) basta apenas ampliar a rede escolar, baseando-se no racioc\u00ednio simplista de que o que funciona bem para poucos vai funcionar tamb\u00e9m para muitos.<\/p>\n<p>No campo da educa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m em todos os outros, as coisas n\u00e3o podem ser aumentadas simplesmente aplicando-se um fator de escala, porque nem tudo que comp\u00f5e um corpo segue a mesma propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<section class=\"quadro\">\n<h5>Escabilidade<\/h5>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a \u00e1rea (A=l<sup>2<\/sup>) da face de um cubo de lado (l) e o seu volume(V=l<sup>3<\/sup>) diminui com o seu tamanho (l): (A\/V) = (l<sup>2<\/sup>\/l<sup>3<\/sup>) = (1\/l). Assim, se dobrarmos o tamanho de um objeto s\u00f3lido (vide Figura 7) o seu peso n\u00e3o ficar\u00e1 aumentado apenas por um fator dois, mas sim por um fator oito vezes maior proporcional ao seu volume, e sua estrutura (no caso, a face quadrada da base que sustenta o cubo) por um fator quatro vezes maior, consequentemente ele n\u00e3o se sustenta e colapsar\u00e1 sobre si mesmo.<\/p>\n<figure>\nFigura 7: Fator de escala<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cubo-300x206.png\" alt=\"Cubo\" width=\"300\" height=\"206\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1549\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cubo-300x206.png 300w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cubo.png 380w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/figure>\n<\/section>\n<p>Os p\u00e9ssimos resultados da pol\u00edtica educacional brasileira, basicamente voltada para a massifica\u00e7\u00e3o do ensino, nos mostram que esse efeito mal\u00e9fico de escala tamb\u00e9m vem ocorrendo na Educa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, se queremos dobrar o n\u00famero de matr\u00edculas em um determinado n\u00edvel escolar mantendo a qualidade, devemos quadruplicar a sua estrutura ou ent\u00e3o tamb\u00e9m modificar a sua natureza.<\/p>\n<p>Os estudos realizados pelo saudoso pesquisador Sergio Costa Ribeiro, dentre os quais podemos citar \u201cA Pedagogia da Repet\u00eancia\u201d [1991] e tamb\u00e9m o artigo \u201cConstruindo o Saber\u201d que ele escreveu para a edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos \u201c25 ANOS da VEJA\u201d [1993], talvez um de seus \u00faltimos trabalhos, j\u00e1 procuravam nos alertar para o fato de que o verdadeiro processo de exclus\u00e3o n\u00e3o era mais deixar uma crian\u00e7a sem vaga na escola, mas sim, a de n\u00e3o conseguir mant\u00ea-la dentro da escola.<\/p>\n<p>Assim, acompanhando as mudan\u00e7as que v\u00eam ocorrendo no mundo nesses tempos de globaliza\u00e7\u00e3o (tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, econ\u00f4micas, sociais, clim\u00e1ticas, etc.), devemos mudar tamb\u00e9m revolucionariamente (paradigmaticamente) o conceito de \u201cescola para todos com qualidade\u201d que, do passado, preserve apenas o que ela tiver de bom, como por exemplo, ser uma escola por inteiro e n\u00e3o apenas \u201cuma meia escola\u201d e, do presente, a possibilidade real de uma aprendizagem mais colaborativa e menos competitiva como requer o futuro que os horizontes do conhecimento atual nos permitem visualizar.<\/p>\n<h2 id=\"s4\">4 Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n<p>Com base nas diretrizes que nortearam o Programa Nacional de Inform\u00e1tica brasileiro <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a> e no que aqui foi comentado, a pergunta que n\u00e3o quer se calar \u00e9 <em>O que temos hoje de fato em termos de inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds:<\/em><\/p>\n<ul>\n<li>ap\u00f3s 50 anos de uso do computador na educa\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds?<\/li>\n<li>ap\u00f3s 40 anos do surgimento das primeiras pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/li>\n<li>desde a explos\u00e3o comercial dos computadores e da internet h\u00e1 aproximadamente 30 anos?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por certo, podemos afirmar que crescemos bastante como uma comunidade de pesquisadores debru\u00e7ados sobre o tema, n\u00e3o s\u00f3 como h\u00f3spedes no nicho pioneiro da \u00e1rea da ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em outros nichos de conhecimento dado o DNA duplamente interdisciplinar da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o &#8211; tanto pelo lado da inform\u00e1tica quanto da educa\u00e7\u00e3o &#8211; que, de forma alguma pode ser vista como uma \u00e1rea de compet\u00eancia exclusiva de informatas ou de pedagogos.<\/p>\n<p>Sendo assim, este bem-vindo crescimento horizontal interdisciplinar obriga-nos a debater, tanto interna quanto externamente (leia-se: com as sociedades cient\u00edficas organizadas de outras \u00e1reas) como proceder de forma mais colaborativa daqui para frente, por exemplo, (i) na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de Estado (Leis) e de governo (Programas) para estimular o desenvolvimento cont\u00ednuo da IE na dire\u00e7\u00e3o mais eficaz poss\u00edvel, e (ii) na cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea e de um c\u00f3digo de \u00e9tica para impor limites a todas as a\u00e7\u00f5es de IE sob o dilema do que \u00e9 certo e errado.<\/p>\n<p>Pode ser que desse debate se chegue \u00e0 conclus\u00e3o que a \u00e1rea de pesquisa em IE deva ter identidade pr\u00f3pria e aut\u00f4noma junto aos \u00f3rg\u00e3os de fomento e que, portanto, seja conveniente a cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o de inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o junto aos \u00f3rg\u00e3os governamentais de fomento (CAPES, CNPq, etc.).<\/p>\n<p>Em segundo lugar, com o mesmo grau de certeza, podemos tamb\u00e9m afirmar que estamos seguindo o mesmo caminho evolutivo (CAI, CAL, CSCL, &#8230;) de outros pa\u00edses que, a nosso ver, j\u00e1 estava predestinado pelo \u201cmovimento browniano\u201d do pensamento p\u00f3s-moderno atual, projetado no contexto da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o. Todavia, o percurso j\u00e1 percorrido em rela\u00e7\u00e3o a muitos desses pa\u00edses est\u00e1 ainda muito aqu\u00e9m do esperado em termos qualitativo e quantitativo, em que pese todo o esfor\u00e7o que tem sido feito pelos diversos agentes envolvidos, conforme procurei narrar nas se\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>Como vimos com base em an\u00e1lises feitas em per\u00edodos diferentes, alguns autores atribuem este atraso \u00e0 falta de vis\u00e3o pol\u00edtica e de investimentos maci\u00e7os nas fases iniciais <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a>, outros \u00e0 falha no modelo de forma\u00e7\u00e3o dos professores para lidar com as tecnologias TIC <a href=\"#VALENTE1997\">[VALENTE e ALMEIDA, 1997]<\/a> e, outros tamb\u00e9m \u00e0s pol\u00edticas governamentais equivocadas referentes, de um lado, \u00e0 engenharia institucional engendrada para gerir os programas <a href=\"#ESTEVAO2015\">[ESTEV\u00c3O e PASSOS, 2015]<\/a> e, de outro, ao afastamento das institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias de pesquisa das inst\u00e2ncias decis\u00f3rias <a href=\"#MORAES1997\">[MORAES, 1997]<\/a><a href=\"#ELIA2005\">[ELIA, 2005]<\/a>.<\/p>\n<p>Pode-se efetivamente reconhecer que todos t\u00eam um grau de raz\u00e3o, quer dizer, os principais setores organizados da sociedade brasileira (acad\u00eamico, empresarial, governamental, sistema escolar e fam\u00edlia) v\u00eam fazendo a sua parte, mas de forma isolada ou pouco coordenada. Portanto, outro caminho a ser seguido seria tentar construir uma parceria mais estreita entre estes setores, possivelmente, por meio de um pacto envolvendo, de um lado, as diretrizes educacionais atuais de Estado que s\u00e3o boas (LDB,1996) e, de outro, um compromisso suprapartid\u00e1rio que resultasse em a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas com garantias de continuidade de longo prazo para a constru\u00e7\u00e3o da escola de qualidade e de car\u00e1ter interdisciplinar para todos que o pa\u00eds precisa, na qual a inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o ocuparia o seu lugar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o iremos a lugar algum percorrendo os dois caminhos sugeridos acima, a saber: (i) integra\u00e7\u00e3o entre os diversos setores da sociedade organizada que atuam na educa\u00e7\u00e3o e (ii) pacto pol\u00edtico suprapartid\u00e1rio que garanta as a implementa\u00e7\u00e3o efetiva das diretrizes educacionais de Estado; se n\u00e3o reverberarmos em medidas concretas os justos reclamos dos principais protagonistas (alunos, professores, gestores, pais, etc.) por uma escola p\u00fablica brasileira de verdade (e n\u00e3o uma escola do faz de conta!) para todos e de qualidade em todos os sentidos. Estes s\u00e3o os principais sujeitos do processo de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade (globaliza\u00e7\u00e3o, informatiza\u00e7\u00e3o, etc.) e jamais devem ser colocados a reboque do mesmo.<\/p>\n<p>H\u00e1 fossos profundos a serem vencidos que v\u00eam impedindo que estes sujeitos cumpram o seu papel previsto no artigo 205 da nossa Constitui\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<section class=\"blockquote\">\nA educa\u00e7\u00e3o, direito de todos e dever do Estado e da fam\u00edlia, ser\u00e1 promovida e incentivada com a colabora\u00e7\u00e3o da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exerc\u00edcio da cidadania e sua qualifica\u00e7\u00e3o para o trabalho.<br \/>\n<\/section>\n<p>Tenho certeza de que todos concordam que a grave crise \u00e9tica, social e de valores humanos que estamos constatando em todos os cantos do territ\u00f3rio brasileiro \u00e9 fruto da falta, nos \u00faltimos 40-50 anos, de uma determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica firme para promover de fato as necess\u00e1rias mudan\u00e7as educacionais que o pa\u00eds precisaria passar, que atendesse, preservando a sua qualidade, a explos\u00e3o de demanda quantitativa (explos\u00e3o demogr\u00e1fica) e as transforma\u00e7\u00f5es que o p\u00f3s-modernismo v\u00eam impondo a todas as na\u00e7\u00f5es (Globaliza\u00e7\u00e3o), sobretudo, por meio do r\u00e1pido avan\u00e7o das ci\u00eancias da natureza e da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as requerem que cheguem na ponta do sistema escolar e n\u00e3o apenas nas letras da lei: curr\u00edculos e projetos de ensino-aprendizagem adequados \u00e0 realidade atual globalizada, valoriza\u00e7\u00e3o da doc\u00eancia, uma infraestrutura ergon\u00f4mica \u00e0 finalidade escolar, gest\u00e3o escolar com compromisso republicano, para citar as mais importantes.<\/p>\n<p>Como este processo de informatiza\u00e7\u00e3o das escolas, ainda est\u00e1 em curso e \u00e9 bastante vol\u00favel, podemos recuperar o tempo perdido e tenho certeza de que narrativas com resultados mais exitosos da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil em sala de aula ser\u00e3o contadas no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<section class=\"quadro atividade\">\n<h5>ATIVIDADE: Pensando novos rumos para a educa\u00e7\u00e3o com base em um projeto pedag\u00f3gico<\/h5>\n<p>Refletir sobre uma nova estrutura escolar que provoque uma inflex\u00e3o capaz de transformar as escolas em uma incubadora de ideias e de jovens empreendedores sob supervis\u00e3o e assessoramento da academia, empresas, governos e das pr\u00f3prias escolas, que usariam a EAD\/TIC como forma comunica\u00e7\u00e3o, compartilhamento e interc\u00e2mbio de conte\u00fado, problemas e solu\u00e7\u00f5es, por meio de uma plataforma web especialmente desenhada para este fim.<\/p>\n<p>CONDI\u00c7\u00d5ES DE CONTORNO: o projeto pedag\u00f3gico da escola seria baseado na metodologia de desenvolvimento de projetos. O curr\u00edculo teria a base comum m\u00ednima (BCM) como est\u00e1 sendo atualmente proposto pelo MEC, acrescido de conte\u00fados interdisciplinares a serem oferecidos \u00e0 dist\u00e2ncia &#8211; em fun\u00e7\u00e3o das necessidades para realiza\u00e7\u00e3o dos projetos &#8211; pelo parceiro credenciado (IES, empresa ou escola) com compet\u00eancia e disponibilidade para tanto.<br \/>\n<\/section>\n<section>\n<h3 id=\"resumo\">Resumo<\/h3>\n<p>Construir um texto sobre a Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil como um t\u00f3pico de conte\u00fado disciplinar para cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 um instigante desafio intelectual. Primeiramente, porque esta \u00e1rea \u00e9 ainda muito recente no pa\u00eds e alguns desdobramentos das a\u00e7\u00f5es iniciais est\u00e3o acontecendo, como tamb\u00e9m est\u00e3o na ativa alguns dos seus protagonistas. N\u00e3o havendo ainda fatos hist\u00f3ricos consolidados pelo tempo, ent\u00e3o o que h\u00e1 s\u00e3o apenas narrativas a respeito dos mesmos. Em segundo lugar, o desafio relaciona-se ao prop\u00f3sito alinhado com o p\u00fablico-alvo do texto porque, como o autor da narrativa, hei de ter muita clareza sobre a maneira mais eficaz e isenta de abordar este t\u00f3pico, objetivando contribuir para a forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada de professores, sejam estes especialistas da \u00e1rea, sejam mesmo leitores interessados de outras \u00e1reas. Tendo atuado na \u00e1rea desde os seus prim\u00f3rdios, aceitei este desafio pensando em oferecer uma narrativa que resgate e sistematize as inst\u00e2ncias que, segundo a minha leitura subjetiva dos mesmos, reflitam o que tem acontecido no pa\u00eds em termos da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o (IE). O leitor poder\u00e1 usar isto como um crit\u00e9rio de valida\u00e7\u00e3o ao comparar essas inst\u00e2ncias com a sua pr\u00f3pria viv\u00eancia ou, no caso dos mais jovens, com os relatos locais e outras narrativas j\u00e1 publicadas.<br \/>\n<\/section>\n<p><!-- SE\u00c7\u00c3O LIVE --><\/p>\n<section id=\"live\">\n<h3>Live-palestra-conversa<\/h3>\n<p>Live-palestra-conversa sobre este cap\u00edtulo, realizada no dia 24\/6\/2021 no programa <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=PLJ4OGYhKIdcUwE2jKK5iplqyBAmne_sG4\">Conecta<\/a> (CEIE-SBC):<\/p>\n<figure>\n<h5>Registro da live-palestra-conversa com o autor deste cap\u00edtulo<\/h5>\n<p>    <iframe loading=\"lazy\" title=\"[Conecta] A Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil: uma narrativa em constru\u00e7\u00e3o\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IpC2c_cRsS4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><figcaption>Fonte: <a href=\"https:\/\/youtu.be\/IpC2c_cRsS4\">https:\/\/youtu.be\/IpC2c_cRsS4<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n<h5>Apresenta\u00e7\u00e3o utilizada na live-palestra-conversa<\/h5>\n<p><a href=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/conectaHistoriaIE.ppt\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIEBrasil.jpg\" alt=\"\" width=\"70%\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4265\" style=\"border: 1px solid gray;\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIEBrasil.jpg 1000w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIEBrasil-300x169.jpg 300w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/historiaIEBrasil-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption><a href=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/conectaHistoriaIE.pdf\">Formato PDF<\/a> (para ler) e <a href=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/conectaHistoriaIE.ppt\">Formato PPT<\/a> (para editar-remixar)<\/figcaption><\/figure>\n<\/section>\n<p><!-- PENDENTE --><\/p>\n<section id=\"leituras\">\n<h3>Leituras Recomendadas<\/h3>\n<section class=\"leitura_recomendada\">\n<section class=\"leitura_capa\"><a href=\"https:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/rbie\/article\/view\/2320\/2082\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Moraes1997.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignnone size-full wp-image-1695\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Moraes1997.png 150w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Moraes1997-70x70.png 70w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Moraes1997-125x125.png 125w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><\/section>\n<section class=\"leitura_descricao\">\n<a href=\"https:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/rbie\/article\/view\/2320\/2082\"><strong>Inform\u00e1tica educativa no Brasil: uma hist\u00f3ria vivida, algumas li\u00e7\u00f5es aprendidas<\/strong><\/a><br \/>\n(<a href=\"#MORAES1997\">MORAES, 1997<\/a>)<br \/>\nEste artigo foi comentado na se\u00e7\u00e3o 2 deste texto como um dos artigos relacionados ao presente trabalho e o recomendo para leitura.<\/section>\n<\/section>\n<section class=\"leitura_recomendada\">\n<section class=\"leitura_capa\"><a href=\"https:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/rbie\/article\/view\/2324\/2083\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Valente1997.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignnone size-full wp-image-1696\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Valente1997.png 150w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Valente1997-70x70.png 70w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Valente1997-125x125.png 125w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><\/section>\n<section class=\"leitura_descricao\">\n<a href=\"https:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/rbie\/article\/view\/2324\/2083\"><strong>Vis\u00e3o anal\u00edtica da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil: A quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do professor<\/strong><\/a><br \/>\n(<a href=\"#VALENTE1997\">VALENTE; ALMEIDA, 1997<\/a>)<br \/>\nEste artigo foi comentado na se\u00e7\u00e3o 2 deste texto como um dos artigos relacionados ao presente trabalho e o recomendo para leitura.<\/section>\n<\/section>\n<section class=\"leitura_recomendada\">\n<section class=\"leitura_capa\"><a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/4815\/481547176018.pdf\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/estevao2015.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignnone size-full wp-image-1699\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/estevao2015.png 150w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/estevao2015-70x70.png 70w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/estevao2015-125x125.png 125w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><\/section>\n<section class=\"leitura_descricao\">\n<a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/4815\/481547176018.pdf\"><strong>O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) no contexto da descentraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica educacional brasileira<\/strong><\/a><br \/>\n(<a href=\"#ESTEVAO2015\">ESTEV\u00c3O; PASSOS, 2015<\/a>)<br \/>\nEste artigo foi comentado na se\u00e7\u00e3o 2 deste texto como um dos artigos relacionados ao presente trabalho e o recomendo para leitura.<\/section>\n<\/section>\n<section class=\"leitura_recomendada\">\n<section class=\"leitura_capa\"><a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/ilya-prigogine-isabelle-stengers\/a-nova-alianca\/1835722826\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/NovaAlianca.jpg\" alt=\"A Nova Alian\u00e7a\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignnone size-full wp-image-1553\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/NovaAlianca.jpg 150w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/NovaAlianca-70x70.jpg 70w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/NovaAlianca-125x125.jpg 125w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><\/section>\n<section class=\"leitura_descricao\">\n<a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/ilya-prigogine-isabelle-stengers\/a-nova-alianca\/1835722826\"><strong>A Nova Alian\u00e7a<\/strong><\/a><br \/>\n(<a href=\"#PRIGOGINE1984\">PRIGOGINE; STENGERS, 1984<\/a>)<br \/>\nPrigogine recebeu o Pr\u00eamio Nobel de 1977 por seus estudos em termodin\u00e2mica fora do equil\u00edbrio que demonstravam claramente que um sistema f\u00edsico de muitas part\u00edculas, sob essa circunst\u00e2ncia, pode sofrer a a\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es ao acaso que podem ser estruturantes e fontes de ordem, e n\u00e3o apenas, de desordem\/desorganiza\u00e7\u00e3o como se pensava at\u00e9 ent\u00e3o que fosse o resultado, com base nos estudos realizados pr\u00f3ximos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio. Pois bem, nesse livro ele e Isabelle Stengers discutem o impacto dessa descoberta em sistemas an\u00e1logos tamb\u00e9m constitu\u00eddos de \u201cmuitas qualquer coisas\u201d, como por exemplo muitas pessoas (Sociedade), contribuindo sobremaneira para a compreens\u00e3o do que hoje \u00e9 conhecido como teoria da complexidade, globaliza\u00e7\u00e3o, dentre outras polissemias que t\u00eam sido atribu\u00eddas a esse pensamento p\u00f3s-moderno.<\/section>\n<\/section>\n<section class=\"leitura_recomendada\">\n<section class=\"leitura_capa\"><a href=\"https:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/sbie\/article\/view\/417\/403\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/NacaoEmRisco.jpg\" alt=\"Uma Na\u00e7\u00e3o em Risco\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignnone size-full wp-image-1557\" srcset=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/NacaoEmRisco.jpg 150w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/NacaoEmRisco-70x70.jpg 70w, https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/NacaoEmRisco-125x125.jpg 125w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><\/section>\n<section class=\"leitura_descricao\">\n<a href=\"https:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/sbie\/article\/view\/417\/403\"><strong>Uma Na\u00e7\u00e3o em Risco<\/strong><\/a><br \/>\n(<a href=\"#ELIA2005\">ELIA, 2005<\/a>)<br \/>\nEm 2004 foi criado um grupo de trabalho na Secretaria de Ensino Superior do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o sobre Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia no Ensino Superior (GTEADES\/SESU\/MEC). Esse grupo foi formado por representantes da academia (CEIE\/SBC), empresas (ABED) e do governo (SESU). Vide refer\u00eancia abaixo ao Relat\u00f3rio Final. Coordenei o GTEADES e, neste texto, procurei deixar registrado a minha vis\u00e3o pessoal do tema que acabou dominando a pauta de discuss\u00e3o do grupo: a demanda da Casa Civil feita a um grupo de trabalho governamental por uma legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria que regulamentasse a EAD em todos os n\u00edveis educacionais formais, conforme autorizado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (LDB 9394) de 20\/12\/1996.<br \/>\n<\/section>\n<\/section>\n<\/section>\n<\/section>\n<p><!-- SE\u00c7\u00c3O EXERC\u00cdCIOS --><\/p>\n<section id=\"exercicios\">\n<h3 id=\"exercicios\">Exerc\u00edcios<\/h3>\n<ol>\n<li>Sobre o desenvolvimento hist\u00f3rico da inform\u00e1tica. Pesquise e inclua pelo menos um outro trabalho relacionado ao desenvolvimento hist\u00f3rico da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o no Brasil que trate de algum aspecto n\u00e3o contemplado pelos quatro artigos acima apresentados.<\/li>\n<li>Para dialogar criticamente com o texto. O desenvolvimento da IE no Brasil pode ser debitado \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas de Estado (Leis) e de governo (Projetos) empreendidas ao longo do per\u00edodo que data do in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 at\u00e9 os dias atuais?<\/li>\n<li>Pol\u00edticas p\u00fablicas sobre o uso da EAD\/TIC no Brasil. Uma quest\u00e3o de fundo que precisa ser debatida \u00e9 se as pol\u00edticas p\u00fablicas sobre o uso da EAD\/TIC no Brasil v\u00e3o continuar limitadas ao fomento de uma estrutura de Ensino Superior a Dist\u00e2ncia nos moldes da UAB, ou se esta modalidade dever\u00e1 ser tamb\u00e9m intensivamente utilizada para promover o ensino a dist\u00e2ncia nas IES j\u00e1 existentes no pa\u00eds, alargando virtualmente as fronteiras de seus espa\u00e7os f\u00edsicos, modificando e modernizando os projetos pedag\u00f3gicos e as pr\u00e1ticas did\u00e1ticas atuais nessas institui\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<li>\u00c9tica e Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o. Proponha pelo menos a reda\u00e7\u00e3o de tr\u00eas artigos que voc\u00ea considera importante que constem no C\u00f3digo de \u00c9tica da \u00e1rea de IE\/SBC a ser criado (como esperamos) em um futuro imediato, indicando o t\u00edtulo do cap\u00edtulo onde eles devem ser respectivamente inclu\u00eddos.<\/li>\n<\/ol>\n<section>\n<section id=\"referencias\">\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n<p id=\"ALMEIDA2004\">ALMEIDA, R.R. Sociedade Bit da Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o \u00c0 Sociedade do Conhecimento, Editora Fomento, 2004.<\/p>\n<p id=\"ANDRADE1993a\">ANDRADE, P.F.; MORAES, M.C. (Editores). PROJETO EDUCOM, Publica\u00e7\u00e3o MEC\/OEA, Vol. I (ISBN 85.7014-004-5), 1993.<\/p>\n<p id=\"ANDRADE1993b\">ANDRADE, P.F.; MORAES, M.C. (Editores). PROJETO EDUCOM: realiza\u00e7\u00f5es e produtos, Autores: Pedro Andrade, Paulo Gileno Cysneiros, Antonio Mendes Ribeiro, Lydin\u00e9a Gasman, Riva Roitman, Marcos da Fonseca Elia, Jos\u00e9 Armando Valente, Lucila Maria Costi Santarosa, L\u00e9a da Cruz Fagundes, Publica\u00e7\u00e3o MEC\/OEA, Vol. II (ISBN 85.7014-005-3), 1993.<\/p>\n<p id=\"BRASIL1997\">BRASIL, apud MORAES, M.C. <a href=\"http:\/\/www.dominiopublico.gov.br\/download\/texto\/me001169.pdf\">Subs\u00eddios para fundamenta\u00e7\u00e3o do programa Nacional de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o (ProInfo)<\/a>, Seed\/MEC, 1997.<\/p>\n<p id=\"BRASIL2005\">BRASIL, <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/sesu\/arquivos\/pdf\/acoes-estrategicas-ead.pdf\">Documento de Recomenda\u00e7\u00f5es \u201cA\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas em educa\u00e7\u00e3o superior a dist\u00e2ncia em \u00e2mbito nacional\u201d<\/a>. Grupo de Trabalho EAD no Ensino Superior \u2013 GTEADES\/MEC\/SESU Bras\u00edlia, Portal do MEC, 2005.<\/p>\n<p id=\"BRASIL2014\">BRASIL, <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_docman&#038;view=download&#038;alias=16510-produto-01-estudo-analitico&#038;Itemid=30192\">Projeto CNE\/UNESCO 914brz1142.3 Desenvolvimento, Aprimoramento e Consolida\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o nacional de qualidade \u2013 educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia na educa\u00e7\u00e3o superior<\/a>, Portal do MEC, 2014.<\/p>\n<p id=\"BAUMAN1999\">BAUMAN, Z. <a href=\"https:\/\/www.saraiva.com.br\/globalizacao-as-consequencias-humanas-427605.html\">Globaliza\u00e7\u00e3o &#8211; As Consequ\u00eancias Humanas<\/a>, Editora Zahar, 1999.<\/p>\n<p id=\"ELIA2005\">ELIA, M. <a href=\"https:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/sbie\/article\/view\/417\/403\">Uma Na\u00e7\u00e3o em Risco<\/a>, <strong>Simp\u00f3sio Brasileiro de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o &#8211; SBIE<\/strong>, [S.l.], p. 320-328, nov. 2005.<\/p>\n<p id=\"ESPANHA1994\">ESPANHA, <strong><a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/seesp\/arquivos\/pdf\/salamanca.pdf\">DECLARA\u00c7\u00c3O DE SALAMANCA Sobre Princ\u00edpios, Pol\u00edticas e Pr\u00e1ticas na \u00c1rea das Necessidades Educativas Especiais<\/a><\/strong>, Portal do MEC, Brasil, 1994.<\/p>\n<p id=\"ESTEVAO2015\">ESTEV\u00c3O, R. B. PASSOS, G. O., <a href=\"http:\/\/www.redalyc.org\/html\/4815\/481547176018\/\">O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) no contexto da descentraliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica educacional brasileira<\/a>. HOLOS [en linea], ISSN 1518-1634, 2015.<\/p>\n<p id=\"LEVY1997\">L\u00c9VY, Pierre. (1997).Cibercultura. Cole\u00e7\u00e3o TRANS. Editora 34.<\/p>\n<p id=\"LOVELOCK1991\">LOVELOCK, J. <a href=\"http:\/\/..\/..\/NCE2018\/Livro CBIE_IAE\/Capitulo_CEI_SBC_HIEBr(MElia)\/HIEBr_VPreliminar_V3_2018.docx\">As Eras de Gaia<\/a>, Ed Campus, 1991.<\/p>\n<p id=\"MORAES1997\">MORAES, M. C. <a href=\"http:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/rbie\/article\/view\/2320\">Inform\u00e1tica educativa no Brasil: uma hist\u00f3ria vivida, algumas li\u00e7\u00f5es aprendidas<\/a>, Revista Brasileira de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o-RBIE, Vol 1, No 1, Porto Alegre, 1997.<\/p>\n<p id=\"MOURA2002\">MOURA, Z. <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/4203501\/relatorio_died_1997_2002\">Relat\u00f3rio de Atividades DIED ProInfo -1996\/2002<\/a>, Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o \u2013 MEC, Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia \u2013 Seed, Departamento de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia \u2013 DIED, 2002.<\/p>\n<p id=\"NICOLESCU2003\">NICOLESCU, B. <a href=\"https:\/\/www.livrariacultura.com.br\/p\/livros\/filosofia\/ensaios-de-complexidade-116158\">Fundamentos Metodol\u00f3gicos do Di\u00e1logo Transcultural<\/a>, In: Ensaios de Complexidade 2 (Org. CARVALHO E.A., MENDON\u00c7A T.), ISBN 85-205-205-7, Editora Sulina, Porto Alegre, 2003.<\/p>\n<p id=\"POUSADA2016\">POUSADA, J.G., BUCHDID, S.B., BARANAUSKAS, M.C. <strong><a href=\"http:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/rbie\/article\/view\/3391\/4493\">A inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o: o que revelam os trabalhos publicados no Brasil<\/a><\/strong>, Revista Brasileira de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o-RBIE, Vol 24, No 1, Porto Alegre, 2016.<\/p>\n<p id=\"PRIGOGINE1984\">PRIGOGINE, I., STENGERS, I. <a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/ilya-prigogine-isabelle-stengers\/a-nova-alianca\/1835722826\"><strong>A Nova Alian\u00e7a<\/strong><\/a>. Universidade de Bras\u00edlia, 1984.<\/p>\n<p id=\"SAMPAIO2019\">SAMPAIO, F\u00e1bio F.; PIMENTEL, Mariano; SANTOS, Edm\u00e9a O. (Org.). <b>Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o: pensamento computacional, rob\u00f3tica e coisas inteligentes<\/b>. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Computa\u00e7\u00e3o, 2019.<\/p>\n<p id=\"VALENTE1997\">VALENTE, J.A.; ALMEIDA, F.J. <a href=\"http:\/\/www.br-ie.org\/pub\/index.php\/rbie\/issue\/view\/72\">Vis\u00e3o anal\u00edtica da inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o no Brasil: a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do professor<\/a>, <strong>Revista Brasileira de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o-RBIE<\/strong>, Vol 1No 1, Porto Alegre, 1997.<\/p>\n<p id=\"VALENTE2003\">VALENTE, J.A. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S1414-32832003000100010\">Educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia no ensino superior: solu\u00e7\u00f5es e flexibiliza\u00e7\u00f5es<\/a>, <strong>Interface (Botucatu)<\/strong> vol.7 no.12 Botucatu, 2003.<\/p>\n<\/section>\n<\/section>\n<section id=\"listaAutores\">\n<h3>Sobre o autor<\/h3>\n<section id=\"Elia\" class=\"autor\">\n<section class=\"autor_foto\">\n    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-980\" src=\"https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Marcos_Elia.png\" alt=\"Marcos da Fonseca Elia\" width=\"150\" height=\"200\" \/><br \/>\n  <\/section>\n<section class=\"autor_descricao\"><strong>Marcos da Fonseca Elia<\/strong><br \/>\n(<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7271887512757562\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/7271887512757562<\/a>)<br \/>\nBacharel em F\u00edsica pela UnB (1969), Mestre em Ci\u00eancias F\u00edsicas pelo CBPF (1974) e Ph.D. em Educa\u00e7\u00e3o para Ci\u00eancias no CMSE -Univ. de Londres (1981). Professor Adjunto do Instituto de F\u00edsica da UFRJ (1974-1996). Professor do SENAI\/CETIQT (1997-2000). Professor do PPGI da UFRJ (2001-2013). Na carreira universit\u00e1ria: participou e coordenou diversos projetos de pesquisa; orientou cerca de trinta disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e tr\u00eas teses de doutorado; foi membro de diversos Conselhos Acad\u00eamicos e exerceu alguns cargos executivos na Administra\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria.<br \/>\n\u00c1reas de interesse: Ensino de F\u00edsica, Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o e Avalia\u00e7\u00e3o da Aprendizagem.<br \/>\n  <\/section>\n<\/section>\n<section id=\"citar\">\n<h3>Como citar este cap\u00edtulo<\/h3>\n<blockquote><p>\nELIA, Marcos da Fonseca. A Hist\u00f3ria da Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil: uma narrativa em constru\u00e7\u00e3o. In: SANTOS, Edm\u00e9a O.; SAMPAIO, F\u00e1bio F.; PIMENTEL, Mariano (Org.). <b>Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o:<\/b> sociedade e pol\u00edticas. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Computa\u00e7\u00e3o, 2021. (S\u00e9rie Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o CEIE-SBC, v.4) Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/ceie.sbc.org.br\/livrodidatico\/historiainformaticaeducacao&gt;\n  <\/p><\/blockquote>\n<\/section>\n<section id=\"comentarios\">\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Marcos da Fonseca Elia) A cronologia do tempo na Hist\u00f3ria: hoje, ontem&#8230; e o amanh\u00e3? 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